Ambientado nas lavras diamantinas e nos grotões da Chapada, a obra narra a incrível trajetória do coronel Horácio Queiroz de Mattos, o lendário chefe da família Mattos, que se tornou um líder político hegemônico na região. Mattos viveu em um período conturbado, marcado pela política do café com leite na ainda jovem República brasileira, o que gerava efervescência e conflitos políticos.
“Contemporâneo dos acontecimentos, Olympio Barbosa conta o que viu com seus olhos e, para evitar imprecisões da memória, apoia-se em abundante documento. E, assim, ao (re) traçar a vida do coronel Horácio de Mattos (1881-1931), oferece-nos uma lúcida visão de uma fase convulsionada dos sertões da Bahia”, escreveu, na “orelha” do livro, o saudoso professor Délio Pinheiro, responsável pela implementação do programa cultura da ALBA, e que faleceu, em 2022, aos 75 anos.
Como descreve o autor do livro, “o que se faz aqui não é um pedaço da história política da Bahia; é, sim, o perfil de um sertanejo incomum e a rememoração de fatos que se infiltram nesta história”. A narrativa revela a audácia, a coragem e a lealdade de Horácio, um homem de instrução elementar, que comercializava pedras preciosas e, revoltado com as injustiças sociais, envolveu-se em lutas sangrentas, que incluíam confrontos com parentes, correligionários e exércitos de jagunços.
RESISTÊNCIA
Horácio de Mattos não apenas desafiou o poder estadual constituído, mas também organizou o Batalhão Patriótico Lavras Diamantinas, que enfrentou os revoltosos da Coluna Prestes. Ele ainda liderou a heróica resistência da cidade de Lençóis, sitiada por tropas policiais, e em 1919, comandou um levante no sertão e uma tentativa de tomada da capital.
A obra também destaca a transformação de Horácio de Mattos, que passou de um coronel temido, líder de um exército no sertão, para um pacificador que promoveu o desarmamento, na década de 30 do século passado. Sua trajetória é um testemunho das complexidades e mudanças políticas na Bahia e no Brasil.
Responsável pela apresentação da obra, o jornalista Paulo Bina, diretor da Assessoria de Comunicação da ALBA, reverenciou não só a memória do coronel retratado no livro, mas também do filho e do neto dele, o ex-deputado Horácio Matos Neto, que morreu prematuramente em 2008, aos 57 anos de idade. “Foram, os três, homens de seus tempos”, afirmou.
Sobre o filho, Horácio Matos Júnior, Bina descreveu: “Deputado estadual, federal e conselheiro do Tribunal de Contas (entre outros cargos públicos), tinha apenas quatro anos quando o pai foi baleado”. Segundo explicou o jornalista, Horácio Júnior “foi partícipe do processo de modernização do Sertão baiano, em especial de sua querida Chapada, e da paulatina redução da ignorância e miséria (ainda grande) nesta vasta área da Bahia”.
Paulo Bina também destacou a trajetória de Horácio Matos Neto, deputado por quatro mandatos na ALBA: “Generoso, leal, gregário e de temperamento cordato e alegre, tornou-se um dos parlamentares mais populares na Assembleia – entre os pares, servidores e sindicalistas do funcionalismo público, sempre em peregrinação por melhores condições de vida e de trabalho”.
O primeiro relançamento do livro de Olympio Barbosa, lembrou Bina, foi um pedido feito por Horácio Matos Neto. Segundo Bina, ele “quis apenas preservar a história e reverenciar a memória de tantos personagens dignos, valentes, honestos e fiéis a um código de valores morais que, infelizmente, está se esgarçando”.
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