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Assembleia relança o livro Horácio de Matos: Sua Vida, Suas Lutas

Publicado em: 30/10/2023 20:43
Editoria: Notícia

O presidente em exercício da ALBA, deputado Zé Raimundo (PT), afirmou que é preciso manter viva a história dos sertões
Foto: JulianaAndrade/AgênciaALBA

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) encerrou o mês de outubro promovendo, na tarde desta segunda-feira (30), o relançamento do livro Horácio de Mattos: Sua Vida e Suas Lutas, escrito pelo jornalista, advogado e ex-deputado estadual por três mandatos Olympio Barbosa. Parlamentares, parentes do autor e do homenageado, jornalistas, intelectuais e servidores públicos estiveram no Saguão Nestor Duarte para conhecer um pouco mais sobre a rica história do famoso coronel da Chapada Diamantina, líder político que travou batalhas contra inimigos pessoais, envolveu-se em confrontos com o poder constituído e teve uma vida intensa antes de completar 50 anos, quando foi assassinado, na capital baiana, por um guarda civil.


Ao elencar uma série de livros editados pela ALBA, os quais retratam a diversidade da Bahia, o presidente em exercício da Assembleia Legislativa, Zé Raimundo Fontes (PT), ressaltou a importância de apresentar o vasto conteúdo cultural presente na Chapada Diamantina, contribuindo para a memória histórica, política e literária de nossa terra. “A gente precisa manter viva a memória dos sertões, e esta Casa vai pleitear, solicitar do Governo Estadual que apoie o turismo cultural, criando um grande museu na Chapada Diamantina, porque memória é também fonte de renda e geração de condições de vida para a população. Estamos aqui diante de mais um século de história. Vocês são privilegiados”, afirmou o deputado que, orgulhoso, destacou ter um grande patrimônio na vida: uma biblioteca com seis mil volumes, um legado de sua mãe, uma mulher analfabeta que lhe ensinou o amor pelos livros.


A edição atual do livro Horácio de Mattos: Sua Vida e Suas Lutas tem uma tripla finalidade, segundo anunciou o cerimonialista Levino Cunha: “reverencia a memória do patriarca biografado; do seu filho, o ex-deputado estadual, federal e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Horácio Matos Junior; e do seu neto, o Horacinho, integrante do Parlamento baiano por quatro legislaturas, um deputado assíduo e consciencioso, querido por todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo”.


A publicação integra a coleção Ponte da Memória, instituída pela Casa do Povo para resguardar a memória de nossa terra e da nossa gente, através da publicação de obras que estejam fora de catálogo das editoras comerciais. No prefácio da primeira edição, Basílio Catalá de Castro salientou que Olympio Barbosa foi testemunha de muitos dos fatos que narra, mas que, para revelar por inteiro o coronel Horácio de Mattos, o jornalista pesquisou bastante e construiu uma biografia honesta e autêntica desse personagem ímpar das lavras diamantinas.


SAGA

Em nome da família do autor, Heraldo Barbosa Filho, neto e ex-secretário de Turismo de Lençóis, agradeceu a mais esta homenagem da Casa Legislativa, ressaltou a luta de Tatiana Matos, filha do deputado Horacinho, em manter viva a chama da saga da família Mattos durante a República Velha. O neto do escritor solicitou autorização da ALBA para promover o lançamento do livro também em Lençóis, que está completando 50 anos de tombamento como Patrimônio Cultural Nacional.


Tatiana Matos discursou em nome do patriarca que virou lenda, impressionou gerações e cujos feitos ainda arregimenta admiradores nos tempos atuais. Ela agradeceu à presidência da Casa pela publicação e fez referência ao jornalista, amigo e companheiro de jornada Paulo Bina, diretor da Assessoria de Comunicação: “Me faz chorar copiosamente toda vez que leio a apresentação do livro, agora reeditado, ao falar de meu pai Horácio Matos Neto, falecido precocemente aos 57 anos”.


Tatiana citou o avô Horácio de Matos Junior, que estava ali bem perto, e disse que ele também foi órfão de pai e também viveu uma orfandade cruel, “porque ser filho de homens maravilhosos e não ter o prazer e a honra de conviver à exaustão com eles é lamentável”.


Para a bisneta do chefe político, os antepassados são as raízes de nossa vida e muitas pessoas perdem sua força porque perdem a conexão com sua própria origem, através da rejeição ou do não reconhecimento de seus ancestrais. “Obrigada aos deputados por perpetuarem a minha e a conexão dos meus familiares com a vida. Horácio de Mattos vive no coração dos que, como ele, acreditam e têm esperança em tempos mais propícios para vivermos como irmãos”, finalizou Tatiana.


Depois de encerrada a solenidade, os parentes do autor e do biografado autografaram o livro que, em 158 páginas, relata as andanças, os conflitos e as lutas sangrentas que marcaram a trajetória do temido líder de um exército de jagunços. O jornalista Olympio Barbosa conta em seu livro que Horácio de Mattos desafiou o Estado, organizou o Batalhão Patriótico Lavras Diamantina contra os revoltosos da Coluna Prestes, liderou a resistência heróica da cidade de Lençóis sitiada por tropas do governo, comandou um levante no sertão baiano e uma tentativa de tomada da capital, em 1919.


Horácio Queiroz de Mattos nasceu em 18 de março de 1882 no município de Brotas de Macaúbas e, com pouco mais de 30 anos, tornou-se o chefe da Família Mattos, após a morte do tio, Clementino.


Na década de 30 do século passado, o coronel Horácio de Mattos foi responsável pela pacificação do sertão baiano, quando promoveu o desarmamento, devolvendo milhares de pistolas, revólveres, fuzis e espingardas. Logo depois desse ato, foi preso em Salvador, julgado e absolvido por falta de provas. Dias depois de solto, passeando no Largo Dois de Julho com uma filha de apenas quatro anos, foi assassinado com tiros pelas costas.


Participaram da cerimônia de reedição do livro o presidente da ALBA, José Raimundo Fontes (PT); o deputado Luciano Simões Filho (UB); o ex-deputado Horácio de Matos Junior, de 96 anos, filho do coronel; Laura Matos, viúva do deputado estadual Horácio Matos Neto; Tatiana Matos, bisneta do homenageado; Dolores Matos, Celita Matos e Agustina Matos, da família Matos; além de Heraldo Barbosa Filho e Luciano Felippe Barbosa, ambos netos do escritor do livro, editado pela primeira vez em 1956.




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