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Colegiado da Saúde promove debate sobre o "Diabetes: Epidemia Silenciosa"

Publicado em: 28/11/2023 17:20
Editoria: Notícia

Audiência pública promovida pela comissão foi proposta pelo deputado José de Arimateia (Republicanos)
Foto: NeusaCostaMenezes/AgênciaALBA

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa encerrou novembro com a realização, nesta terça-feira (28), da audiência pública “Diabetes: Epidemia Silenciosa”, uma doença que atinge mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da Federação Internacional de Diabetes. “É fundamental que sejamos proativos na prevenção, diagnóstico precoce e no tratamento adequado da doença. Devemos investir em campanhas educativas e em ações que promovam a conscientização da população sobre os fatores de risco, os cuidados com a alimentação, a importância da prática regular de exercícios físicos e a necessidade de exames periódicos”, salientou o deputado José de Arimateia (Republicanos), proponente da reunião.



Vice-presidente do colegiado, o parlamentar explicou que o diabetes é uma doença crônica, caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, que pode acarretar risco de complicações graves, como doenças cardíacas, insuficiência renal, amputações nos membros inferiores e até cegueira. O legislador alertou que os deputados têm o poder e a responsabilidade de tomar medidas concretas para combater essa epidemia silenciosa. “Proponho que sejam destinados recursos para a criação de centros de referência para o tratamento do diabetes, onde profissionais de saúde capacitados possam oferecer assistência especializada e multidisciplinar aos pacientes”, afirmou.



Especialistas de renome na área médica foram convidados para falar dos diversos aspectos que envolvem a doença. A médica endocrinologista Reine Fonseca fundou o Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), em 24 de março de 1984. Quase 40 anos depois, continua incansável na linha de frente da prevenção e combate do diabetes. Na longa palestra, ela narrou a história do centro e suas localizações, os convênios internacionais e as premiações obtidas, o fluxo de teletriagem dos pacientes, o trabalho da equipe multiprofissional e as atividades desenvolvidas na unidade, que realiza cerca de oito mil consultas presenciais e 11 mil exames laboratoriais por mês.



A vice-presidente eleita da Sociedade Brasileira de Diabetes apresentou uma visão global da doença, com dados recentes de uma universidade brasileira sobre conhecimento do diagnóstico, tratamento e controle do Diabetes Melitus. Por essa pesquisa, a doença é predominante nas pessoas acima de 40 anos, “tendo um pico enorme nos indivíduos com mais de 60 anos”. O estudo revela ainda que a doença afeta 25 % da população de idosos a partir de 65 anos e que 1 em cada 10 brasileiros sofre de diabetes. A mestra em Medicina Interna pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) elencou uma série de propostas para melhorar o atendimento.



Dentre elas, ampliar a estratégia da teleconsultoria, abrangendo toda equipe multidisciplinar; implementar procedimentos de média complexidade; além de implantação da ouvidoria e de protocolos para novas tecnologias, como bomba de insulina e monitorização contínua de glicose.


A titular da cadeira número 50 da Academia de Medicina da Bahia (AMB) considera importante ainda algumas necessidades para o Cedeba, a exemplo da reforma da unidade, aparelho de USG, mobiliário e equipamentos para implantação da ouvidoria.




Retinopatia Diabética foi o tema da palestra do médico oftalmologista Filipe Baracho, que discorreu sobre o diagnóstico, as complicações crônicas microvasculares, os fatores de risco, os rastreamentos e as diversas formas de tratamento. Para o diretor médico do Centro de Oftalmologia Bahia Olhos, o atraso no diagnóstico da retinopatia diabética pode agravar o quadro e provocar a perda visual, “inclusive na população economicamente ativa e não só em aposentados”. O especialista citou quais os cuidados que se deve ter para a prevenção da cegueira e mostrou, através dos slides exibidos, como faz o tratamento de pacientes utilizando a técnica da injeção intravítreo. “É uma injeção dentro do olho, um procedimento de alto custo que vem sendo judicializado e, mesmo assim, demora para ser executado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes dizem que não dói. É uma técnica simples e segura. A gente introduz a medicação e ela vai atuar de forma indireta, reduzindo o inchaço, o edema macular. Fazemos por semana quinze vitrectomias e aplicamos 600 injeções”, garantiu Filipe Baracho.


PÉ DIABÉTICO


A importância do atendimento do cirurgião vascular foi o tema abordado pelo médico e professor adjunto da Faculdade de Medicina da Ufba, Cícero Fidelis. O profissional apresentou os dados epidemiológicos do Diabetes Melitus no mundo e no Brasil, ressaltando sua preocupação com o elevado número de amputações em decorrência das ulcerações no membro inferior da perna.


“Essa série histórica foi de 2012 a 2022, quando houve uma progressão no número de amputações, um aumento de 65% nesses dez anos. No ano passado, houve um registro muito maior: 31.190 casos, com 85 amputações de membros inferiores por dia. Em 2023, esses números podem ser superados”, lamentou o cirurgião.


Cícero Fidelis esclareceu que aproximadamente 80% das amputações de membros inferiores são precedidas por uma ulceração, ensinou como avaliar os pés de uma pessoa com diabetes e disse que, em números absolutos, a Bahia é o quarto estado do Brasil que mais executou procedimentos de amputações (24.395). “Todo ano, mais de um milhão de diabéticos perdem a perna relacionada à Diabetes Melitus. Isso significa que, a cada 20 segundos, uma amputação ocorre no mundo como resultado da doença. E o endereço do diabetes está presente nos hospitais públicos, porque afeta diretamente as pessoas pobres, mais vulneráveis, que normalmente não têm plano de saúde”, finalizou o professor, pedindo o esforço de todos para mudar essa triste realidade.




A audiência pública também contou com a participação da assistente social Silvânia Cátia Simões Silva, representante Normélia Quinto, diretora-geral do Centro de Prevenção e Reabilitação da Pessoa Portadora de Deficiência (Cepred), e do médico Augusto Batista, diretor da Atenção Primária da Secretaria de Saúde do Município de Salvador, que também fizeram intervenções a respeito da atuação dos seus órgãos na prevenção e combate do diabetes.





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