MÍDIA CENTER

Colegiado analisa transtornos e prejuízos causados pelo sangramento do açude de Cocorobó

Publicado em: 16/04/2024 17:14
Editoria: Notícia

Audiência pública da Comissão de Agricultura contou com a participação de Rafael Carvalho, coordenador estadual do Dnocs
Foto: NeusaCostaMenezes/AgênciaALBA

O coordenador estadual do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Rafael Carvalho, participou na manhã desta terça-feira (16) de audiência pública da Comissão de Agricultura e Política Rural, presidida pelo deputado Manuel Rocha (UB), quando foram analisados os transtornos e prejuízos causados ao Perímetro Irrigado Vaza-Barris (Pivb) pelo sangramento do açude de Cocorobó, em Canudos. As chuvas recentes provocaram elevação anormal do reservatório, e chegaram à marca de 3.3 metros, 30 centímetros acima do nível máximo. Nesta terça-feira, a marca registrou 46 centímetros acima do nível da soleira do sangradouro. As águas destruíram toda a produção do Perímetro Irrigado do Vaza-Barris, em Canudos e Jeremoabo.


Na semana passada, o governador Jerônimo Rodrigues visitou a área, e nova ida dos técnicos do Dnocs está prevista para esta quinta-feira. O Departamento ainda não consegue estimar os prejuízos nem quanto será preciso investir para recuperar o Perímetro. Mas espera contar com o apoio dos governos Estadual e Federal. Uma comissão, composta pela prefeitura de Canudos, Governo Federal e Associação do Distrito de Irrigação do Vaza-Barris (Adivb) foi composta para tentar analisar a situação e estimar os recursos necessários para a reconstrução da área.


Também nesta terça-feira, o deputado federal Gabriel Nunes (PSD) e o prefeito de Canudos, Jilson Cardoso de Macedo, estiveram em Brasília em audiências com os ministros da Integração Nacional, Waldez Góes, e da Casa Civil, Rui Costa, em busca de apoio e dinheiro. Segundo o diretor do Dnocs na Bahia, será preciso investir em duas frentes: na assistência às 450 famílias que plantam no Perímetro, vivem da plantação e tiveram toda a produção perdida, e na recuperação da área e da estrutura. Os prejuízos, entretanto, só poderão ser estimados depois que as águas baixarem totalmente, mas já se sabe que será impossível a recuperação das lavouras neste ano, adiantou Rafael Carvalho.


O Pivb responde pelo plantio de tomate, quiabo, pimentão, coco, coentro para sementes, goiaba, milho, feijão e banana, sendo esta responsável por 80% do perímetro plantado. Com a destruição causada pelas chuvas e pelo sangramento de Cocorobó, as 450 famílias ficam em situação precária, sem ter meio de sobrevivência e esta é a maior preocupação de Rafael Carvalho, que se mostrou esperançoso na conquista dos recursos necessários à assistência aos pequenos produtores.


O Vaza-Barris está situado em Canudos, tem 2 mil hectares que produzem banana, feijão, quiabo, milho e coco no sistema de agricultura familiar. Emprega cerca de duas mil pessoas e é a principal fonte de renda de Canudos e Jeremoabo. Canudos, hoje, tem população estimada de 16,9 mil habitantes, e como principal receita o Perímetro Irrigado, responsável por injetar na economia do município cerca de R$ 2,5 milhões/mês e gerar aproximadamente 6 mil empregos diretos. Além disso, destacou o diretor do Dnocs, a cidade tem importância história, e é lembrada, em especial, por ter sido palco da guerra que teve como protagonista Antônio Conselheiro.


O Perímetro Irrigado Vaza-Barris (Pivb) foi construído pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e iniciou a operação em 1973 tendo como fonte hídrica a Barragem do Cocorobó, com capacidade de acumulação de 245,4 milhões de metros cúbicos de água. O projeto possui seis setores com 450 lotes, cada um deles ocupado por uma família de agricultores; unidade de campo do Dmocs; lotes habitacionais, igrejas, escolas, comércios, Cooperativa dos Irrigantes do Vaza-Barris (Civab) e Associação do Distrito de Irrigação do Vaza-Barris (Adivb), criada em 2005, que administra o Perímetro no que se refere a operação e manutenção.





Compartilhar: