A música e a dança, como instrumentos de luta contra o racismo, também marcaram presença no evento, com uma apresentação de 60 jovens da Fanfarra do Colégio Estadual Duque de Caxias (Fanduc), da Liberdade, um dos bairros mais negros de Salvador. Ao som de tumbas, trompetes, trombones e bombardinos, o público acompanhou a exibição dos jovens músicos que, sob o comando do regente Ângelo Márcio, tocaram sucessos como Protesto Olodum, Faraó e É d’Oxum.
No embalo desses clássicos da axé music, e contando com o olhar atento do professor de dança Carlos Show, vice-presidente da agremiação, 16 garotas da escola mostraram a beleza da dança afro e a força do samba reggae na Bahia, arrancando aplausos dos participantes da roda de conversa.
A Fanduc é a terceira banda marcial mais antiga do Estado, tendo sido reativada há pouco mais de um ano, realizando apresentações em desfiles cívicos, a exemplo do Desfile do 2 de Julho e nas Comemorações do 7 de Setembro, além de participar de competições em diversos municípios do interior. O presidente da banda, Lucas Leite, considerou importante que as manifestações culturais e artísticas tenham espaço na Casa do Povo, porque dá mais visibilidade a uma luta que é de toda a sociedade. “ Estamos aqui representando todos os guetos nesse combate contra o racismo, trazendo música, dança e arte, para que todos entendam que somos iguais, não queremos violência de espécie alguma, pois o respeito é fundamental”, afirmou o dirigente.
Especialista em Ensino da Cultura Afro-Brasileira, Mabel Freitas saudou o grupo de jovens que resolveu optar pela arte, pela dança, desaguando o que estava represado. “É muito especial ver esses corpos em movimento de outra maneira. Quem pesquisa e está no ativismo sabe onde os corpos pretos adolescentes estão: ou encarcerados ou genocidados. Não quero nenhuma morte pra gente mais. Quero Luz e Vida”, manifestou a professora, uma mulher preta inspiradora, que tem um currículo impressionante em favor da difusão do conhecimento.
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