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Implantação da Casa de Apoio Estadual para Pacientes Renais é discutida na Assembleia

Publicado em: 28/05/2024 17:08
Editoria: Notícia

O deputado Hassan (PP) foi o proponente da audiência conduzida pelo presidente da Comissão de Saúde, deputado Alex da Piatã (PSD)
Foto: NeuzaCostaMenezes/AgênciaALBA

A Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa promoveu, nesta terça-feira (28), uma audiência pública sobre a “Importância da Implantação da Casa de Apoio Estadual para Pacientes Renais Crônicos e Transplantados em Salvador”. Proponente da reunião, o deputado Hassan (PP) explicou que, em abril deste ano, protocolou uma indicação, encaminhada ao governador Jerônimo Rodrigues e à secretária Estadual de Saúde, Roberta Santana, solicitando que analisassem esta reivindicação dos representantes do Instituto Renal da Bahia (IRB).


O legislador diz que a Casa de Apoio será para o acolhimento, a humanização no tratamento e a promoção da saúde integral para esses pacientes adultos e pediátricos que se deslocam do interior para a capital baiana. “Essas pessoas têm dificuldades para dar continuidade ao tratamento fora de seus domicílios, em razão dos custos elevados com transporte, alimentação e até hospedagem. Entendemos que a implantação desta unidade será uma ação de grande valia do ponto de vista humanitário, principalmente para os transplantados no pós-operatório”, declarou o parlamentar.


José Vasconcelos de Freitas, presidente do IRB, passou por hemodiálise, conseguiu um transplante e conhece muito bem a luta de milhares de baianos que sofrem de insuficiência renal. Ele defendeu a implantação da unidade de apoio diante da necessidade de pacientes que enfrentam uma jornada difícil desde a vinda de suas cidades até quando deixam o hospital. “Não é justo você pegar uma pessoa transplantada no Roberto Santos ou no Ana Nery, dar alta ao paciente, e ele ficar em uma casa, que não é de apoio, mas em uma casa que tem 186 pessoas de rua, morando com pessoas de todas as patologias. Isso não é um tratamento digno para quem é recém-transplantado”, lamentou.


EMPATIA


Representando o Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde, Marcelo Cerqueira falou sobre a busca de medicamentos para os pacientes, a oferta de transporte e a ajuda de custo para alimentação de pacientes e acompanhantes. O dirigente da Cosems-BA relatou a luta de um amigo, de apenas 36 anos, que foi acometido pela doença crônica e parabenizou o colegiado por debater esta temática na Casa do Povo. “É de uma empatia sem igual o que esta comissão vem trazendo. Tenho certeza que esta iniciativa estadual vai se somar aos esforços dos municípios para atender a este público que precisa de acolhimento e dignidade”, afirmou.


A diretora de Atenção Especializada da Sesab, Alcina Romero, garantiu que, nos últimos dez anos, houve uma priorização da pasta, com a interiorização do acesso à questão da saúde renal. A gestora informou que atualmente a Bahia tem mais de 9.000 pessoas fazendo tratamento por hemodiálise, distribuídas por 44 serviços de alta complexidade, espalhados em 27 regiões de saúde do Estado. Lembrou ainda que hoje, só na Região Metropolitana de Salvador, existe serviço de hemodiálise na capital, em Santo Amaro, Lauro de Freitas e Camaçari. “Ampliou bastante, mas isso não é suficiente, especialmente porque as pessoas têm de fazer três sessões por semana, precisam se deslocar e ter sustentabilidade financeira. Assumimos o compromisso de continuar avançando, vamos ver qual o melhor modelo da casa de apoio, para se ter um cuidado mais qualificado e mais humanizado, que é o que todos nós queremos”, assegurou a diretora.


SUGESTÕES


A pauta dos pacientes renais atraiu a participação de muitos parlamentares. Marcaram presença na Sala Eliel Martins, os deputados Jordavio Ramos (PSDB); Luciano Araújo (SD); Eduardo Salles (PSD); Raimundinho da JR (PL); e Antonio Henrique Jr. (PP). Em pronunciamento, a deputada Fabíola Mansur (PSB) parabenizou o deputado Hassan pela iniciativa, mas sugeriu que a ideia fosse ampliada, “criando-se as casas de apoio nos principais territórios do Estado”. O presidente do colegiado, deputado Alex da Piatã (PSD), endossou a proposição da socialista e sugeriu também fazer um levantamento, em cada região, para saber qual a melhor solução, inclusive no que diz respeito à contratação de hospedagem. Piatã também aprova as parceiras com empresas privadas, “que no sul do país costumam realizar investimentos na área de saúde”.


O deputado José de Arimateia (Republicanos) criticou a falta de medicamentos para os transplantados na rede pública, considerou de suma importância a implantação da casa de apoio, mas disse que precisa descentralizar as clínicas satélites para hemodiálise. De acordo com o vice-presidente do colegiado, a Sesab também deve ter transparência sobre os números da patologia renal na Bahia. Já o deputado Ricardo Rodrigues (PSD) elogiou a melhoria das ações de saúde nas últimas administrações estaduais, principalmente através da descentralização decorrente das Policlínicas Regionais, “permitindo que exames mais complexos possam ser realizados sem maiores dificuldades em todos os cantos da Bahia”.


O diretor-geral da Fundação Hemoba, Luiz Catto; o presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia, Marcos Gêmeos; a presidente da Associação Renal de Salvador, Maria do Socorro; o médico e consultor de empresas, Júlio Guerra; a presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia-BA, Ana Flávia Moura; o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Eraldo Moura; o assessor da Sesab, Cássio Garcia e a defensora pública Raíssa Lopes manifestaram suas posições na audiência, sempre com contribuições que ressaltaram o fortalecimento e a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS). Depois de agradecer a todos, o deputado Hassan demonstrou esperança no avanço de sua proposição. “Saio deste encontro feliz. Vamos trabalhar nessa construção, avançar cada vez mais para em breve conseguir a Implantação da Casa de Apoio Estadual para Pacientes Renais”, concluiu o parlamentar.






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