Por ocasião dos 201 anos da Independência do Brasil na Bahia, celebrados no próximo dia 2 de julho, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) lança a versão digital do livro “Escritos sobre o 2 de Julho – Memória e Política”. A obra física foi lançada em novembro do ano passado através do programa ALBA Cultural e tem como autores os pesquisadores e servidores do Legislativo baiano Cláudio Oliveira, Daniel Duarte e Pierre Malbouisson.
No site da ALBA, o livro que reúne um conjunto de estudos sobre a Independência do Brasil na Bahia está disponível em sua versão ebook na aba Mídia Center, na página ALBA Cultural. Para o superintendente de Assuntos Parlamentares da ALBA, Bira Corôa, o lançamento digital da obra cria uma perspectiva de acessibilidade ao disponibilizar para a sociedade baiana a oportunidade de conhecer a produção de conhecimento que a Casa possui.
“O livro é um resgate de episódios que a própria história não retrata. Temos como exemplos batalhas que não são citadas, personalidades que deram contribuições importantes, como Maria Felipa, bem como a participação indígena nesse processo. Editar esse material aqui na ALBA é reafirmar nossa história, é construir uma memória para ser projetada para as próximas gerações”, afirmou o superintendente.
Bira Corôa também parabenizou os autores e pesquisadores Cláudio Oliveira, Daniel Duarte e Pierre Malbouisson pela dedicação à produção da obra, que foi conduzida a partir do Departamento de Pesquisa (Depeq) da Casa, da Coordenação do Memorial do Legislativo (Comel), com apoio da Presidência.
Geraldo Mascarenhas, diretor parlamentar, enfatizou o caráter de transparência que o lançamento da versão digital simboliza. “O livro é resultado de um excelente trabalho de pesquisa, demonstrando o alto nível do nosso corpo técnico. O lançamento da versão digital é oportuno, pois possibilitará mais uma forma de acesso transparente ao nosso trabalho para um público amplo, permitindo que a sociedade baiana conheça as atividades desenvolvidas pelos servidores da ALBA”, ressaltou.
Mascarenhas destacou o engajamento dos setores envolvidos nas ações de celebração do Bicentenário da Independência do Brasil na Bahia, contexto em que o livro foi lançado. “Em 2023, a Diretoria Parlamentar promoveu uma série de atividades em conjunto com a Superintendência de Assuntos Parlamentares, através do Departamento de Pesquisa (Depeq) e da Coordenação do Memorial do Legislativo da ALBA, com pleno apoio do nosso presidente Adolfo Menezes. Foi constituído um grupo de trabalho coordenado por mim e por Arlete Neiva, gerente do Depeq, que resultou, entre outros, na produção do livro ‘Escritos sobre o 2 de Julho: Memória e Política'”, contextualizou o diretor.
O historiador Daniel Duarte, um dos autores da obra, foi enfático ao falar da importância de disponibilizar o livro para toda a sociedade através da versão digital. “É uma forma de apresentar à sociedade baiana aquilo que é produzido pelos servidores da Assembleia Legislativa, é uma publicação que foi pensada para um público amplo. Por isso, acreditamos que o acesso deva ser facilitado”, argumentou.
Duarte ainda falou da responsabilidade e privilégio em trabalhar com a pesquisa e escrita do livro no âmbito do Bicentenário do 2 de Julho. “Nossa proposta foi apresentar um processo multifacetado como fruto das contradições socioeconômicas da sociedade colonial altamente hierárquica e racista daquele momento, destacando a participação de setores populares, homens e mulheres que de forma geral não viram suas aspirações atendidas pela independência, mesmo as mais modestas. Também procuramos questionar os esquecimentos e apagamentos históricos, como os casos de Maria Felipa e de Antônio Pereira Rebouças. Ele foi um homem negro, autor da ata de Aclamação de Dom Pedro como regente em Cachoeira, advogado, e também foi deputado provincial”, apontou.
Também autor da obra, o pesquisador Pierre Malbouisson destacou o lançamento digital do livro como um marco na transparência do que é produzido pela Casa através do programa ALBA Cultural. “Esse é um produto de uma iniciativa do Departamento de Pesquisa e do Memorial do Legislativo com apoio da Assessoria de Comunicação que ganha uma versão eletrônica e torna mais fácil o acesso pela população. O livro físico tem uma tiragem limitada, não consegue atingir a todos devido à quantidade de exemplares”, comparou.
O pesquisador também destacou o caráter popular da celebração do 2 de Julho, assim como foram as lutas pela independência na Bahia. “Estas lutas mobilizaram diversos setores da sociedade baiana na época. As forças baianas contaram com a participação de libertos, escravizados, indígenas e mulheres, que colaboraram de variadas formas para a resistência contra o inimigo português. Isso não significou que os interesses eram coesos, ao contrário, os grupos que participaram dessas lutas tinham posições sociais distintas e, por vezes, conflitantes”, explicou.
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