A deputada Fabíola Mansur (PSB) registrou, na Assembleia Legislativa, uma moção de pesar pelo falecimento da museóloga Gilka Goulart Sant’Anna, aos 96 anos, ocorrido no dia 27 de junho de 2024, em Salvador. “Gilka foi uma mulher admirável, inteligente e combativa, de uma geração de homens e mulheres honrados e de muita coragem, que resistiu e lutou contra a ditadura civil militar e em defesa das causas da democracia e da justiça social”, definiu a socialista.
Natural de Lorena (SP) Gilka nasceu no dia 26 de fevereiro de 1928, sendo uma ativa militante contra a ditadura militar e pela anistia. Museóloga formada pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), é autora da restauração de numerosos monumentos históricos, a exemplo dos azulejos do Solar Berquó, em Salvador. Gilka Goulart Sant’Anna também foi Superintendente Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-BA).
Fabíola Manusr lembra que o tropicalista, cantor e compositor baiano Tom Zé, sobrinho de Gilka, contou que ela foi a responsável pela sua vinda de Irará para Salvador e grande incentivadora de sua carreira profissional. O artista, que junto a Caetano, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia, inaugurou o Teatro Vila Velha, em 1964, com o show “Nós, Por Exemplo”, sempre cita em entrevistas, com muita gratidão e carinho, a sua tia. “Eu já tinha cantado na televisão, também tinha a boate Clock, que o dono era amigo de minha Tia Gilka, e eu fazia shows quase que mensalmente lá, até que Caetano me levou para o Rio de Janeiro. Eu devo muito a ela e quero agradecer”, afirmou o músico.
“Gilka Sant’Anna era esposa do deputado Fernando Sant’Anna (PCB). Deixa um exemplo de vida, quatro filhos, Hélio, Márcia, Pedro e Isabella, os netos Helinho, Lívia, Gabriel e Laura, parentes, amigos e muita saudade em todos aqueles que tiveram o privilégio da sua convivência. Gilka viveu plenamente, uma mulher extraordinária, um ser humano de muita luz”, declarou a procuradora especial da Mulher da ALBA.
No documento que protocolou na Mesa Diretora da Casa Legislativa, Fabíola deixou registrado, na íntegra, o belo e comovente texto da filha, Márcia Sant’Anna, lido na cerimônia de adeus da museóloga, no último dia 28 de junho, no Cemitério Jardim da Saudade. Na “Homenagem à Mãe Gilka”, a mensagem da filha agradeceu pelo enorme legado, que tantas portas abriram, lembrou da luta política e também dos grandes momentos da convivência em família, ressaltou sua enorme dedicação ao patrimônio cultural e demonstrou estar orgulhosa pelos registros escritos que a mãe deixou para toda uma geração de admiradores.
“De minha parte, mãe, lhe agradeço muito tudo o que você fez por nós na vida. O acolhimento aos nossos amigos, namorados, maridos e esposas, o apoio e a solidariedade nas horas difíceis de nossas vidas, o cuidado com nossos filhos, que você, certamente, ajudou a criar, mas também com nossos netos, sua imensa disponibilidade para a alegria e para o prazer de viver. É difícil acreditar que uma pessoa tão vital e solar não está mais aqui. Mas tenho certeza de que está brilhando em algum lugar e espero que possamos nos rever um dia. Vá em paz, mãe. Foi um privilégio ter você nas nossas vidas”, finalizou a filha Márcia Sant’Anna.
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