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Legislativo concede Comenda 2 de Julho ao padre Edson Menezes

Publicado em: 30/03/2026 15:28
Editoria: Notícia

Honraria ao religioso foi proposta pelo deputado Marcelino Galo (PT)
Foto: JulianaAndrade/AgênciaALBA
O vigário-geral da Arquidiocese de São Salvador e reitor da basílica Santuário do Senhor do Bonfim, padre Edson Menezes da Silva, foi condecorado na manhã desta segunda-feira (30) com a Comenda 2 Julho, maior honraria concedida pelo Parlamento baiano. Realizada no llenário da Assembleia Legislativa, a sessão especial foi presidida pelo deputado proponente, Marcelino Galo (PT), e prestigiada por autoridades como o senador Otto Alencar, o secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar, e a deputada Maria Del Carmen. Também à Mesa, o arcebispo primaz do Brasil, dom Sergio da Rocha.

Após a composição da Mesa e o ingresso do padre Edson no plenário, acompanhado da egbomi Nice de Oyá e da professora e ex-prefeita da cidade de Salinas da Margarida, Elba Chagas, o deputado Marcelino Galo leu uma mensagem da presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos, que não pode comparecer à cerimônia por compromissos previamente assumidos. “Infelizmente não pude estar presente nesta sessão tão especial. Ainda assim, faço questão de registrar meu respeito e minha alegria por esta justa homenagem ao padre Edson Menezes, cuja caminhada é marcada pela fé, pelo acolhimento e pelo serviço prestado ao povo baiano”, disse a chefe do Parlamento baiano.

Ivana Bastos parabenizou o homenageado pela honraria e saudou também “o deputado Marcelino Galo pela iniciativa de reconhecer uma trajetória tão digna e inspiradora”.

Marcelino Galo abriu seu discurso celebrando “a história viva de um homem que fez da fé um instrumento de amor, de justiça e de transformação social”. Ele lembrou passagens importantes da vida do homenageado, natural de Salinas da Margarida, ordenado padre em 1985 e, desde 2009, reitor da basílica do Senhor do Bonfim. Galo também falou sobre a alegria de ser primo de padre Edson, ressaltando, no entanto, que a homenagem se dava por outros motivos nobres.

“Padre Edson Menezes foi o segundo padre natural de Salinas da Margarida, mas foi o primeiro a realizar a cerimônia de ordenação na sua cidade, o que foi grande motivo de festa, orgulho e admiração de todos no município. Ordenado em 1985, construiu ao longo de sua caminhada um ministério profundamente marcado pela sensibilidade pastoral, pelo compromisso social e por uma postura firme em defesa da dignidade humana”, disse o legislador.

Marcelino destacou a atuação do padre Edson à frente da basílica, onde, segundo o deputado, sua missão ganhou mais visibilidade e alcance. “Padre Edson não apenas administra um dos mais importantes templos religiosos do Brasil, ele ressignifica o próprio sentido de santuário. Sob sua liderança, o Bonfim se afirma como espaço de fé, mas também de acolhimento, de escuta e de encontro. Um lugar onde ninguém é estranho, onde todos são recebidos com respeito, dignidade e amor. Ele compreendeu, com profundidade, que evangelizar também é cuidar das pessoas”, discursou Marcelino Galo.

O deputado afirmou ainda que padre Edson se destaca como um das principais vozes na preservação de uma das maiores expressões culturais da Bahia: a Lavagem do Bonfim. “Com sabedoria e sensibilidade, padre Edson atua como ponte. Ponte entre religiões, culturas e pessoas. Em tempos em que o mundo insiste em construir muros, ele escolheu construir caminhos de diálogo, especialmente no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa. Sua voz é firme, mas é também profundamente humana. Uma voz que anuncia o amor, mas que não se cala diante da injustiça. Uma voz que acolhe, mas que também denuncia a violência, o preconceito e a exclusão”, afirmou.

FÉ E SABEDORIA

O padre Edson fez um discurso de fé e deu exemplo de ecumenismo e tolerância religiosa. Citou o papa Francisco, ao dizer que “todas as religiões são um caminho para nos aproximarmos de Deus”. Também citou dom Hélder Câmara ao exaltar as amizades construídas em seu caminho: “É possível caminhar sozinho. Mas o bom viajante sabe que a grande caminhada é a vida, e esta supõe companheiros”.

“Por onde passei nestes 40 anos de sacerdócio, conquistei muitos amigos, encontrei companheiros que caminharam ao meu lado e até me ajudaram a carregar os fardos e as cruzes quando foi necessário dividir o peso. Convivi e fui acolhido por muitas famílias, aprendi a trabalhar em parceria com instituições governamentais, pública, religiosas, privadas e do terceiro setor. Procurei me aproximar e caminhar ao lado de pessoas de diferentes credos com muito respeito, sem receios e livre de preconceitos”, disse Padre Edson.

O religioso agradeceu à ALBA pela concessão da honraria. “Receber a medalha 2 de Julho é um estímulo para continuar o meu trabalho pastoral centrado na proximidade, na ternura e na missão, com o firme propósito de conhecer e ser solidário com as dores e alegrias do povo, tendo Jesus como modelo de Bom Pastor, que cuida, acolhe e acompanha com ternura, especialmente os marginalizados, as minorias, os pobres, os que se sentem abandonados, excluídos ou vivendo realidades de periferias existenciais”.

O reitor da basílica Senhor do Bonfim disse ainda que receber a comenda era motivo “para continuar defendendo a justiça social, os direitos humanos, a dignidade da pessoa humana, a vida e uma ecologia integral”. Para ele, é preciso seguir “exercitando a cultura do encontro, a construção de pontes, o diálogo intercultural, o ecumenismo, a valorização da diversidade, sem medo do outro, mas vendo-o como irmão, mantendo o firme compromisso de combater todos os tipos de intolerância, racismo, discriminação, LGBTfobia”.

Sob aplausos, padre Edson fechou o discurso lembrando mais uma vez o papa Francisco: “Não se pode fazer comunidade sem proximidade. Não se pode fazer a paz sem proximidade. Não se pode fazer o bem sem aproximar-se”.

A cerimônia contou ainda com a participação do capoeirista e cantor Tonho Matéria, que entrou no plenário entoando os versos de Ilha de Maré (Walmir Lima e Lupa) e de Retrato da Bahia (Riachão), para homenagear o padre Edson. Antes de encerrar a cerimônia, o cantor Alexandre Leão interpretou o Hino ao Senhor do Bonfim (Arthur de Salles e João Antônio Wanderley), acompanhado da plateia que lotou o Plenário Orlando Spínola.

Reportagem:  Luciano Aguiar
Edição: Franciel Cruz



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