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Audiência na ALBA debate crise da citricultura e aponta medidas emergenciais

Publicado em: 13/04/2026 17:47
Editoria: Notícia

O evento foi conduzido pelo deputado Eduardo Salles e reuniu produtores, autoridades e representantes do setor para discutir a crise da citricultura
Foto: NeusaCostaMenezes/AgênciaALBA
A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) promoveu, nesta segunda-feira (13), uma audiência pública para debater a crise na cadeia produtiva da citricultura baiana. O evento foi realizado conjuntamente pelas comissões de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo e de Agricultura e Política Rural.

A audiência foi conduzida pelo deputado Eduardo Salles (PV), presidente da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo. O parlamentar classificou a crise do setor como “sem precedentes” e com possibilidade de desemprego em massa. “A citricultura baiana passa por uma crise terrível, dolorosa”, apontou.

Nesse sentido, contextualizou Salles, a audiência pública teve como foco encontrar caminhos para minimizar os impactos da crise. O debate reuniu representantes de instituições financeiras, dos governos federal e estadual, gestores municipais, empresários, citricultores e dirigentes de cooperativas de diversos municípios do estado.

Como balanço da audiência pública, o deputado apontou encaminhamentos como a decisão de o Banco do Nordeste prorrogar débitos que vencem em 2026, sem alteração nas taxas de juros; garantia de recursos para custeio de novas linhas de crédito; atração de indústrias para processamento de laranjas; e articulação para inclusão do suco de laranja na merenda escolar das redes municipal e estadual, entre outros pontos.

A notícia sobre a prorrogação dos débitos foi anunciada durante o evento pelo superintendente regional do Banco do Nordeste, Pedro Lima. “Vamos estender o prazo final das parcelas que vencem em 2026 para quem não tem condições de pagar. Podem buscar o banco. Se o cenário permanecer para 2027, podemos estudar o caso e avaliar a possibilidade de carência”, detalhou.

PRIORIDADE NO LEGISLATIVO

Segundo Salles, a pauta dos citricultores é mais uma prioridade de debate no Legislativo baiano. “Estamos trabalhando todas essas pautas colocadas pelos produtores. Temos uma missão muito grande, porque a Bahia já foi o segundo maior produtor de laranja do país. Hoje, é o quarto. Aumentamos a produtividade e diminuímos a área. Tínhamos 70 mil hectares de área plantada. Hoje, temos 50 mil hectares, mas a nossa produção avançou graças à tecnologia”, afirmou o deputado.

Ainda segundo o parlamentar, a Bahia pode ganhar competitividade com a implantação de uma indústria. “Nossa laranja é vendida para Sergipe e até São Paulo, que está a 2 mil quilômetros daqui”, frisou.

Uma das possibilidades no estado é a adequação da unidade fabril do grupo Sono, que já produz sucos. No entanto, conforme explicou Luiz Hermida, diretor da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), a fábrica precisa passar por adaptações para implementar o processamento de suco de laranja. Apesar da viabilidade, as mudanças não devem ocorrer em 2026 e levariam cerca de um ano e meio para a finalização do maquinário.

Uma das principais queixas dos produtores da citricultura baiana é a queda nos preços da tonelada. O valor já chegou a R$ 2,5 mil, mas atualmente está em cerca de R$ 400. Por outro lado, ressaltou Salles, o custo de produção é estimado em R$ 700 por tonelada.

“Nós precisamos fazer com que os governos municipal, estadual e federal entendam essa grave crise, que pode gerar milhares de desempregados em mais de 30 municípios da Bahia”, enfatizou Eduardo Salles.

O presidente da Cooperativa dos Citricultores de Rio Real e Regiões Circunvizinhas (Coopcítricos), Revailton Castro, também alertou para os impactos da queda do preço da laranja. Ele relatou que, em Rio Real, o comércio local já sente os efeitos, com redução de 70% nas vendas. Segundo Castro, as fábricas não estão comprando a produção porque já estão com estoque cheio.

REGULAÇÃO DOS PREÇOS

O presidente do Sindicato Rural de Rio Real, Fernando Braz, defendeu a intervenção do governo federal, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para regular o preço. “Temos produtores com a mão na cabeça, sem saber como vão pagar suas dívidas”, disse.

Em sua participação, Braz elencou pontos que considera essenciais para amenizar a crise: instalação de uma fábrica na Bahia, prorrogação das dívidas dos produtores, inclusão da laranja na merenda escolar, criação de pontos de revenda das cooperativas na Ceasa e apoio das prefeituras aos citricultores.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) foi representada por Mari Anna Batista, presidente da Comissão de Agricultura da entidade. Ela reforçou que a produção de laranja possui um excedente elevado e que falta apoio governamental para o escoamento.

O produtor Vagner Batista, da empresa Rota da Laranja, afirmou que o citricultor baiano enfrenta uma situação de incapacidade financeira. “É uma situação de emergência que requer socorro financeiro. Por isso é importante a prorrogação da dívida, porque os analistas apontam que essa crise só deve cessar em 2028”, disse. A preocupação foi corroborada por outros produtores, como Wilson Dias, Antônio Alves e Geraldo Souza.

Geraldo Souza, um dos coordenadores da Comissão de Defesa da Citricultura Baiana, fez um alerta: “A situação é mais grave do que muitos imaginam. Se nada mudar, caminhões de laranja serão descartados à beira das estradas, pois as fábricas não têm como adquirir a produção, já que estão com estoques abarrotados”.

CENÁRIO ECONÔMICO

O governo estadual foi representado pelo secretário de Agricultura, Vivaldo Góes. Ele afirmou que a crise decorre do cenário econômico. Entre as ações adotadas pelo governo baiano, citou o diálogo com secretários municipais de agricultura para apoio aos produtores; reuniões com a Secretaria da Educação e com a União dos Municípios da Bahia (UPB) para discutir a inclusão do suco de laranja na merenda escolar; articulação com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) para atração de fábricas; e diálogo com a Apex para abertura de novos mercados de exportação.

O debate contou ainda com a participação de deputados como Penalva (PP) e Ludmilla Fiscina (PSD), além de representantes de órgãos como o Ministério da Agricultura, com Fábio Rodrigues, superintendente regional na Bahia; Lanns Almeida, representando a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR); Paulo Costa, presidente da Desenbahia; Bruno Guimarães, superintendente regional da Conab; e o suplente de deputado Radiovaldo Costa (PT).

Reportagem: Aparecido Silva
Edição: Divo Araújo


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