O Memorial da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) incorporou ao seu acervo o quadro Cidade do Salvador, de Carlos Bastos. Trata-se de uma serigrafia datada de 1977, na qual o autor retrata a capital não geograficamente, mas a partir de sua memória afetiva. A chegada da obra à Casa conta também uma história de estudos, desprendimento e sorte.
Cláudio José Menezes de Oliveira, museólogo do Memorial, adquiriu a obra no dia 23 de junho do ano passado. A oportunidade surgiu quando ele se encontrava em casa com um dedo do pé quebrado. Na ocasião, participou de um leilão virtual de obras de arte, no qual estava Cidade do Salvador, “uma obra há muito desejada”. Ele conseguiu arrematá-la pelo lance mínimo.
“Infelizmente, hoje em dia, a maior parte das pessoas que procuram por Carlos Bastos é daqui mesmo da terra”, disse Cláudio, lembrando que era dia de São João. Por isso, não houve muitos participantes no leilão.“Já vi uma dessas sendo vendida por R$ 1,5 mil, R$ 2 mil. O preço sobe bastante em relação ao lance inicial. Esse ficou baixo por conta da data inoportuna que eles escolheram para o leilão”, afirmou, considerando a conjunção de fatores como um golpe de sorte.
Cláudio conta que arrematou a obra já pensando em doá-la ao Memorial. “A gente sempre deseja ampliar o acervo e fica procurando oportunidades para isso”, explicou. Carlos Bastos é um artista plástico com um vínculo significativo com a Assembleia Legislativa. Foi dele o mural Procissão do Bom Jesus dos Navegantes, consumido pelo incêndio da ALBA, em 1978. Coube também ao artista a reconstituição da obra monumental que domina o ambiente do plenário.
O professor Evandro Carvalho Filho, também servidor da Casa, é historiador e museólogo e está trabalhando em um artigo sobre o mural, dentro de uma pesquisa realizada em conjunto com Cláudio sobre o acervo de obras monumentais da sede do Legislativo, inaugurada em 1974, no Centro Administrativo.
O coordenador do Memorial, Pierre Simões, destacou que Cláudio arrematou o quadro já emoldurado por entender que ele teria grande valor para o setor. O processo para formalizar a doação foi iniciado em março deste ano e demorou um pouco em razão do ineditismo do ato. “No processo, ele expressa a vontade de fazer a doação sem esperar nenhum tipo de contrapartida”, disse Pierre.
A serigrafia Cidade do Salvador já está aberta à visitação pública no salão do Memorial. O quadro mede 47 x 65 cm e está emoldurado em alumínio pintado na tonalidade preta, com dimensões totais de 61 x 79 cm.
Reportagem: Paulo Menezes
Edição: Divo Araújo
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