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Legislativo e Judiciário transferem sede para Cachoeira pela 1ª vez

Publicado em: 25/06/2026 21:25
Editoria: Notícia

Reforçando os valores cívicos, autoridades se perfilaram para o hasteamento das bandeiras
Foto: JulianaAndrade/AgênciaALBA
A cidade de Cachoeira, a terra-mãe da liberdade no Recôncavo, viveu nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, mais um dia especial em sua rica história, marcada por um passado de lutas na resistência contra as tropas portuguesas do general Madeira de Melo. Foi nesta data, exatamente há 204 anos, que ocorreu o Levante do Povo de Cachoeira, considerado o marco inicial da guerra da Independência da Bahia. Reconhecendo este papel decisivo de protagonismo da população cachoeirana, a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Justiça se somaram ao Governo do Estado, que há 19 anos realiza a transferência da sede do Executivo para a cidade.

“Este dia tem uma imensa grandeza. Pela primeira vez, em 192 anos de sua história, o Poder Legislativo transfere simbolicamente sua sede para esta terra de tantos atos de bravura, ampliando a reverência institucional a este berço da liberdade baiana. A Assembleia vem a Cachoeira porque sabe que sua força nasce do povo”, destacou a presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos. A parlamentar parabenizou o governador Jerônimo Rodrigues por manter viva essa tradição cívica. “Governar a Bahia é também honrar a sua história, valorizar os seus símbolos e reconhecer a força dos territórios que ajudam a construir a liberdade de nosso povo”, lembrou a chefe do Legislativo.

A transferência provisória foi formalizada por meio do Ato nº 041/2026, assinado pela presidente da Casa, um documento que está amparado pelo Regimento Interno e que também foi aprovado pelos deputados e deputadas, em sessão ocorrida no dia 28 de abril de 2026. “Desde o Governo Wagner, através da Lei Estadual nº 10.695/2007, o Executivo já faz simbolicamente a transferência de sua sede para Cachoeira. E agora, de forma harmônica, o Legislativo e o Judiciário se uniram também nesta iniciativa, reconhecendo a resistência histórica do povo de Cachoeira na consolidação da Independência”, explicou o governador Jerônimo Rodrigues.

O DIA NA HISTÓRIA

Logo nas primeiras horas da manhã, a população de Cachoeira acordou com uma salva de 21 tiros, ritual que significa dar as boas-vindas às autoridades, um sinal de respeito e reverência. A solenidade começou às 8 h em ponto, na Praça da Aclamação, onde fica localizada a Câmara Municipal de Cachoeira. Ao som da Banda da Polícia Militar, o chefe do Executivo estadual passou em revista a tropa, composta de bombeiros, soldados do tiro de guerra do Exército Brasileiro e policiais militares. Este procedimento formal demonstra o respeito da corporação às autoridades constituídas. Em seguida, as maiores autoridades do Estado e do município ficaram perfiladas no pavilhão para a cerimônia de hasteamento das bandeiras. Participaram da cerimônia o governador Jerônimo Rodrigues (bandeira do Brasil, simbolizando a soberania nacional); a prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga de Jesus (bandeira da Bahia, uma referência à unidade federativa); a presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos; o presidente do TJBA, desembargador José Edivaldo Rotondano; e o presidente da Câmara Municipal de Cachoeira, Josmar Barbosa, que ergueram as bandeiras de suas instituições políticas, reforçando os valores cívicos.

TE DEUM

No dia seguinte ao feriado de São João, com as ruas ainda enfeitadas de bandeirolas, a população acompanhou atentamente a festa cívica. Minutos depois do ritual, moradores, dirigentes de movimentos sociais e autoridades se encaminharam para a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, tombada pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para a celebração do Te Deum, expressão em latim que significa “A Ti, ó Deus, Louvamos”. O canto litúrgico, um hino em ação de graças e exaltação à Santíssima Trindade, foi rezado pelo padre André Soeira, pároco da igreja. De acordo com o sacerdote, o clero local, na época do conflito, teve participação ativa, atuando na proteção de negros escravizados e indígenas que integravam o exército popular de libertação do domínio da Coroa Portuguesa. “O 2 de Julho de 1823 teve a sua origem no chão desta terra. Se no 2 de Julho o sol brilha mais que no primeiro, aqui nós temos a cidade de Cachoeira com esta aurora, o despontar de um novo dia. Este ato do passado tem ressonância no presente, pois ainda precisamos de novas conquistas, para que a justiça prevaleça em nosso país”, declarou o padre.

Já de volta à Câmara, uma longa sessão solene agraciou, com o Título de Cidadão Honorário de Cachoeira, personalidades e gestores públicos pelos relevantes serviços prestados à comunidade. Receberam a certificação de nascimento, a presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos, e o presidente do TJBA, desembargador José Edivaldo Rotondano, entre outras autoridades. No final da sessão, foi descerrada uma placa alusiva à instalação provisória das sedes dos poderes Legislativo e Judiciário. “A presença dos três Poderes aqui em Cachoeira é um marco importante para nosso município, que teve grande destaque no processo de consolidação do movimento libertador no país”, frisou a prefeita Eliana Gonzaga.

                                                      DESFILE CÍVICO

Durante a tarde, a cidade foi palco do Desfile Cívico, um espetáculo de cores, arte, memória e resistência presente na criatividade dos estudantes, das fanfarras e filarmônicas. Para o historiador Fábio Batista, sem o 25 de junho de 1822, não haveria o 2 de Julho, data magna quando definitivamente os portugueses foram expulsos do Brasil. “Foram três dias intensos de batalhas com a vitória popular, quando houve a tomada da canhoneira, uma embarcação da artilharia inimiga que estava ancorada no Rio Paraguaçu. Anos depois, Cachoeira ganhou o Título de Cidade Heroica e recebeu, em reconhecimento pela coragem do seu povo, a visita de Dom Pedro I, com uma comitiva da sua corte, em 28 de abril de 1826”, informou o mestre em História pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Prestigiaram a solenidade os deputados Rosemberg Pinto (PT), líder da Bancada da Maioria na ALBA; a deputada Olivia Santana (PC do B); a ex-deputada Fabíola Mansur (Avante); além dos deputados federais Antônio Brito (PSD); Alice Portugal (PC do B); e a cachoeirana Lídice da Mata (PSB), autora do projeto de lei que autorizou, com aprovação da Assembleia Legislativa, a transferência, todos os anos, da sede do Poder Executivo para a histórica cidade.

Reportagem:  Nivaldo Costa 
Edioção: Franciel Cruz


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