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Hilton homenageia Casa de Sultão pelos 40 anos de resistência e tradição

Publicado em: 19/08/2026 14:37
Editoria: Notícia

Deputado apresentou moção de aplausos pelos 40 anos da Casa de Sultão, em Salvador
Foto: Ascom/AgênciaALBA
O deputado Hilton Coelho (PSOL) apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), uma moção de aplausos pelos 40 anos da Casa de Sultão – Centro de Umbanda Jequiriçá de Sultão das Matas, em Salvador. Fundada em 1986 pela yalorixá Diva Maria de Oxum, a casa se consolidou como espaço de fé, acolhimento, formação sacerdotal e preservação das tradições afro-brasileiras.

No documento, o parlamentar reafirmou o compromisso de seu mandato com a diversidade religiosa e a igualdade. “Quarenta anos de uma casa de Umbanda em Salvador são quarenta anos de resistência. Enquanto houver racismo religioso, intolerância e discriminação, estaremos ao lado dos terreiros, defendendo a liberdade de culto, a dignidade dos povos de matriz africana e o direito de cada comunidade viver sua fé em paz”, declarou Hilton, ao homenagear a casa, atualmente conduzida pelo babalorixá Leandro Seixas de Xangô, pela ialorixá Fabiane de Oxum e pelo babalorixá Luís Celso de Obaluaiê.

Para o deputado, celebrar a trajetória da Casa de Sultão é também reafirmar a luta contra o racismo religioso e as formas de intolerância que ainda atingem os povos de terreiro. “Defender a Casa de Sultão é defender a liberdade religiosa. Os terreiros não são apenas locais de culto: são espaços de memória, solidariedade, cultura e resistência do povo negro. Atacar essas casas é atacar a própria história da Bahia”, afirmou.

O legislador ressaltou que a Umbanda é uma expressão genuinamente brasileira, formada pelo diálogo entre matrizes africanas, indígenas, católicas e espíritas, e que sua diversidade precisa ser respeitada pelo poder público e pela sociedade. Ele também relacionou a defesa dos terreiros ao combate ao racismo ambiental, ao denunciar a forma como comunidades de matriz africana são frequentemente tratadas de maneira desigual em conflitos territoriais e ambientais.
“Quando uma comunidade de terreiro é removida, quando seu território é ameaçado ou quando apenas esses espaços sofrem intervenções em nome da proteção ambiental, precisamos perguntar se não estamos diante de mais uma expressão do racismo ambiental. A defesa do meio ambiente não pode servir de desculpa para violar a liberdade religiosa”, escreveu no documento.

Segundo Hilton Coelho, a preservação dos espaços sagrados exige políticas públicas que conciliem proteção ambiental, respeito aos territórios tradicionais e garantia dos direitos constitucionais. “Não existe justiça ambiental sem justiça racial. Não existe proteção da natureza expulsando comunidades que há décadas convivem com seus territórios e preservam saberes ancestrais. Os povos de terreiro precisam ser reconhecidos como sujeitos de direitos, e não tratados como obstáculos”, finalizou.

Reportagem: Luciano Aguiar 
Edição: Divo Araújo



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