A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) sediou, nesta terça-feira (15), o X Seminário “Linguagens Visuais como Territórios Epistêmicos: Surdidades, Surdos-autistas e Criação de Modos de Saber-Ser”. O encontro ocorreu no Auditório Jornalista Jorge Calmon e reuniu pessoas surdas, surdas-autistas, pesquisadores, educadores, estudantes, familiares e representantes do poder público.
Promovido pela Associação Educacional Sons no Silêncio (Aesos), em parceria com a Escola do Legislativo da ALBA, o seminário buscou ampliar o debate sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), as linguagens visuais, as experiências sensoriais, a arte e as diferentes formas de produção e compartilhamento do conhecimento pelas comunidades surdas e surdas-autistas.
Diferentemente de outros eventos, o encontro foi aberto e apresentado em Libras pela mestre de cerimônia Verena Fontes, com intérprete oral fazendo a tradução em tempo real para o público. Outro momento marcante foi a apresentação de dança feita em silêncio, sem som musical, por Elinilson Soares e Daisy Souza, com o tema “Abram a roda, a surda vai dançar - Encruzilhada de línguas”. Em seguida, houve a apresentação do coral de mães atípicas da Aesos.
Conforme explicou Carla França, fundadora e presidente da Aesos, o debate reforça a importância do desenvolvimento da educação para pessoas surdas e surdas-autistas. “Em nossa instituição, atuamos dentro do atendimento educacional especializado, atendendo surdos e surdos-autistas e também autistas, tanto da rede estadual quanto da rede municipal de Salvador. Nós somos mantenedoras do Centro Educacional Sons no Silêncio, que é uma escola de educação bilíngue que atua com o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio para surdos”, contextualizou.
Ao longo do dia, além de mesas de debates, ocorreram palestras proferidas por convidados como Shirley Vilhalva, Larissa Rebouças e Erliandro Silva. O seminário também teve como objetivo a elaboração de uma proposta de educação bilíngue para surdos na Bahia.
A mesa de abertura do evento contou com a presença de Carla França, presidente da Aesos; Augusto Vasconcelos, pai atípico e secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre); Sidney Reis Borges, vice-presidente do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência (Coede); Alex Sandrelanio, coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa Sons no Silêncio (GEPSS); Erliandro Félix Silva, doutorando e palestrante; Simone Simas, coordenadora da Aesos; Daisy Souza Santos, multiartista e mestre em danças; Jaqueline Sacramento, representando mães de filhos surdos-autistas; professora Lúcia Lacerda; Maurício Damasceno, representando o Centro de Surdos da Bahia (Cesba); e Teresinha Maia, diretora do Centro Educacional Sons do Silêncio (CESS).
Reportagem: Aparecido Silva
Edição: Divo Araújo
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