Horizontes da Memória, exposição que abre a semana cultural da ALBA, reúne obras das artistas plásticas Angélica Moreira e Rita Moscone no Saguão Josaphat Marinho da Assembleia Legislativa da Bahia. De um encontro absolutamente casual, as duas reuniram algumas de suas obras e aceitaram o convite da curadora Neia Andrade para a mostra, que fica em exposição até o próximo dia 25.
Com trajetórias e histórias distintas, as artistas têm em comum o amor à pintura e a marca da infância. Em ambas, a veia artística se mostrou latente desde muito cedo. Para Angélica, a grande inspiração foi a avó. Para Rita, a admiração extrema pelas obras premiadas do padrasto, Benedito José de Andrade.
Aos 72 anos, Angélica conta que tudo começou lá atrás, ainda criança, quando pegava o bonde elétrico e ia para a Ribeira participar, junto com a avó, de aulas de pintura. Foi também na casa da avó, no Jardim Baiano, que ela vivenciou o circuito das artes e desenvolveu o gosto pela pintura em óleo sobre tela. Diversificou o traço e a técnica, passando para desenhos em giz pastel, acrílica sobre tela e, finalmente, para a aquarela, método mais sensível, em que se tenta “controlar o incontrolável”.
Na aquarela, descreve a artista, a tinta se espalha, e é preciso ter controle sobre ela, o que exige “paciência e equilíbrio”, qualidades que ela encontra amparo na yoga. Definindo a vida, “com toda a sua intensidade”, como sua temática, Angélica, que também é escritora e terapeuta, diz que se inspira muito no pensamento da médica e psiquiatra Nise da Silveira, para quem a pintura chega onde as palavras não alcançam.
Mantendo-se fiel ao óleo sobre tela, Rita Moscone tem nas paisagens, urbanas ou rurais, a temática central da sua obra. Daltônica, ela, entretanto, enxerga bem o amarelo, tom constante nos seus quadros, que exploram, com beleza e sensibilidade, o contraste entre luz e sombra.
Rita teve seu primeiro quadro produzido aos 40 anos. Ao comemorar o aniversário, ela decidiu buscar uma atividade que lhe desse prazer. E começou um curso de pintura. Sua primeira produção, um pôr do sol entre montanhas de Fernando de Noronha, “foi exaltada pela turma”, e Rita não parou mais. Hoje, já se arrisca nos retratos, que iniciou com uma selfie, transformada em quadro a partir de pintura sobre fotografia.
Confessando que ainda não se via como artista antes desta exposição na ALBA, a primeira de que participa, Rita Moscone revela que a situação mudou. Ao ver seus quadros expostos no Saguão Josaphat Marinho, “passei a me ver como artista”, festeja a professora paulista que já pinta há 20 anos.
Quanto a Angélica, sua expectativa é de que a ExpoALBA possa “conectar a si mesmo neste lugar de paz” quem apreciar os quadros de Horizontes da Memória.
Reportagem: Nice Melo
Edição: Divo Araújo
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