O encontro foi promovido pelo mandato da deputada Olívia Santana (PC do B), em parceria com o Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais da Bahia (Sinfito-BA). O ato aconteceu no Auditório Jornalista Jorge Calmon e foi marcado pelo debate de pautas como inclusão, direitos e o impacto transformador das profissões na qualidade de vida das pessoas.
Em sua fala, Olívia destacou a alegria de colocar em discussão na ALBA um tema como o direito à saúde e a importância da fisioterapia e da terapia ocupacional para as pessoas com deficiência. “Este é um seminário de alta relevância para a categoria e, principalmente, para as pessoas com deficiência, porque é momento de falar sobre direitos e a importância da recuperação da mobilidade dos pacientes. O nosso mandato tem um orgulho muito grande de ser parceiro desta categoria, de ter apresentado nesta Casa dois projetos de lei muito importantes para os profissionais”, recordou a deputada.
O presidente do Sinfito-BA, Gláucio Roberto Santana de Jesus, observou que quase 8% da população baiana é constituída por pessoas com deficiência. Nesse contexto, frisou o dirigente, é essencial debater temas como o acesso aos serviços de fisioterapia e terapia ocupacional. “Não é todo mundo que tem condições de pagar por um serviço de terapia ocupacional ou de fisioterapia. Quando falamos dessas pessoas, temos que imaginar que estão na periferia, que são dependentes do SUS [Sistema Único de Saúde], não têm acesso a um plano de saúde, não têm a possibilidade financeira de poder custear os nossos serviços”, alertou.
Gláucio Roberto também ressaltou que a fisioterapia e a terapia ocupacional são fundamentais para devolver às pessoas o movimento, a possibilidade de realizar atividades laborais, a funcionalidade no seio familiar, a independência e a autonomia em ações como a alimentação e a locomoção, entre outras. “Quando a gente fala de movimento e fala de funcionalidade, a gente fala do micro ao macro”, disse.
DIREITO À ACESSIBILIDADE
Além disso, o presidente do Sinfito-BA lembrou que as pessoas com deficiência precisam ter assegurado o direito à acessibilidade e à locomoção pela cidade e pelos espaços públicos e privados. “A cidade tem que ser pensada, tem que ser construída dentro do conceito de acessibilidade. A acessibilidade é o mínimo quando falamos em humanidade. Não é porque a pessoa está com deficiência que ela tem que ser privada de um momento, de subir um palco para poder fazer a sua fala”, exemplificou.
Quem também participou do ato foi Adjeane Oliveira, coordenadora da Associação do Grupo de Apoio ao Portador do Vírus HTLV I e II. Ela fez um relato de vida e contou que vive com o HTLV, um vírus que ainda não tem cura e causa doenças graves.
“Uma dessas doenças é a mielopatia associada ao HTLV. O HTLV está na minha medula e ele vai paralisando as pernas, os nervos inferiores, não só os nervos inferiores, mas todos os órgãos. Isso compromete muito, muito, muito a minha condição de vida. É muito difícil, para mim, sair de casa, ir ao banheiro, me virar na cama. E aqui, eu tenho que fazer um agradecimento e um reconhecimento aos profissionais de fisioterapia. Eu venho fazendo fisioterapia há mais de 15 anos, não para melhorar, mas para não piorar mais. A fisioterapia nos dá, pessoas que vivem com HTLV, condições de funcionalidade”, relatou Adjeane durante o evento.
Presente ao debate, o deputado estadual eleito Silva Neto (Avante), fisioterapeuta por formação e ex-prefeito de Araci, falou da importância do apoio da classe política à profissão. “Ao longo dessa caminhada nossa, eu me deparei com outros políticos que abraçaram nossa causa e fizeram com que nossas funções sociais fossem protegidas. Enquanto fisioterapeuta e deputado eleito, quero agradecer a você, deputada Olívia, por lutar por nossas categorias”, declarou.
Além dos oradores mencionados, integraram a mesa de convidados e contribuíram para o debate: Ismael Lima, presidente do Diretório Acadêmico de Fisioterapia da Universidade Federal da Bahia (Ufba); Isabela Conde, fundadora da ONG Ampara Mulher; Silvanete Brandão, assistente social e presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (Abadef); Luiza Dantas, estudante e presidente do Diretório Acadêmico de Terapia Ocupacional da Ufba; Sofia Campos, terapeuta ocupacional e especialista em saúde coletiva; e Ivani Duarte, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Bahia (Coede-BA).
Reportagem:
Edição: Franciel Cruz
REDES SOCIAIS