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Oftalmologista Rafael Andrade faz palestra na Comissão de Saúde

Publicado em: 28/09/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Especialista afirma que realização do Mutirão do Diabético de Itabuna mobiliza toda a sociedade
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Dois mil exames de pé diabético, 1.800 mapeamentos de retina, 3.500 exames de glicemia capilar. Este foi o resultado alcançado pelo 7º Mutirão do Diabético de Itabuna, realizado gratuitamente pelo Hospital de Olhos Beira Rio e relatado ontem à Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa pelo médico oftalmologista e especialista em retina Rafael Andrade.
Considerado pela Organização Mundial de Saúde como o mal do século, o diabetes atingirá 350 milhões de pessoas em todo o mundo dentro de nove anos – a cada cinco segundos, um novo caso é diagnosticado. A doença não tem cura, mas tem tratamento e controle e é justamente para informar a população sobre a necessidade de prevenção que Rafael Andrade realiza o mutirão e esteve na Assembleia.

PREVENÇÃO

Segundo dados que apresentou, a prevenção reduz em 76% a ocorrência de cegueira; em 70%, os casos de amputação de membros e, em 34%, a paralisação dos rins dos diabéticos. De acordo com o médico, no Brasil, há 16 milhões de portadores de diabetes. Metade deste contingente desconhece que tem a doença, 21% deste total tem lesão no fundo do olho que leva à cegueira irreversível e 55 mil brasileiros têm algum membro do corpo (geralmente o pé ou a perna) amputado em decorrência do mal.
"O diabetes mata hoje entre três e cinco vezes mais do que o enfarto e o acidente vascular cerebral", informou, chamando a atenção para a necessidade de a população ser bem informada sobre a doença e como exercer a prevenção. "A cada dez pessoas, uma é diabética", disse Rafael Andrade, revelando que a moléstia já é a terceira causa de morte nos Estados Unidos, país que gasta US$ 98 bilhões por ano no tratamento dos doentes. No Brasil, a patologia já ocupa a quarta colocação no ranking das doenças que mais matam.
Ainda no Brasil, cada paciente internado com necessidade de amputação custa ao SUS R$ 7 mil/dia, enquanto os gastos com prevenção não chegam a R$ 500. E o tratamento a laser para lesões de fundo de olho é de baixo custo, apenas R$ 45 a sessão. Para evitar este gasto "e salvar vidas", é necessário que campanhas de esclarecimento e orientação sejam fartamente patrocinadas, ponderou o médico, que, em Itabuna, realiza "a maior campanha de prevenção contra o diabetes do país", segundo classificação da Fenad – Federação Nacional das Associações e Entidades de Diabetes.

AZUL

A realização do Mutirão do Diabético de Itabuna mobiliza toda a sociedade local, ganha a cidade, que se veste e se ilumina de azul (cor da campanha mundial) antes e durante o evento, conta com apoio da iniciativa privada e da rede local de televisão, que transmite o mutirão ao vivo para todo o Estado, parte da região Nordeste e, neste ano, atingirá até o Amapá.
Médicos especialistas em retina e exames de fundo de olho rápidos e precisos; nefrologistas e cirurgiões vasculares de Salvador e de São Paulo aderem todo ano ao mutirão e trabalham de graça em Itabuna, chegando a atender, cada um, 500 pessoas no dia do evento. "Nenhum paciente grave sai sem atendimento", garante Rafael Andrade, que realiza, nestes casos, aplicação imediata do tratamento a laser de forma a evitar o avanço da cegueira. Estes doentes são encaminhados para continuação do tratamento através do SUS mas, caso não sejam aceitos na rede pública, são tratados pelo Hospital de Olhos Beira Rio gratuitamente.
O trabalho do médico foi aplaudido por todos os integrantes da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, poder que receberá, do presidente do colegiado, deputado José de Arimatéia ( PRB), a proposta de iluminar-se também de azul em 14 de novembro próximo, Dia Mundial de Combate ao Diabetes, ombreando-se, assim a monumentos famosos internacionais que neste dia usam a luz azul para chamar a atenção do mundo sobre a doença, que atinge 12 pessoas a cada minuto.



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