Os deputados estaduais do PC do B apresentaram, em conjunto, projeto de resolução para concessão do título de cidadão baiano a Carlos Antônio Melgaço Valadares, natural de Sete Lagoas, Minas Gerais.
Eles lembram que, em 1963, estudante de medicina, "dá início à militância política. Participou do movimento estudantil e se incorporou à Ação Popular e, pouco depois, à Juventude Universitária Católica - JUC, tendo sido dirigente regional das duas organizações. Em razão da atuação política, foi excluído da universidade no início de 1968, não tendo conseguido estudar em nenhuma das faculdades de medicina no estado àquela época".
Carlos Valadares casou-se com Loreta Kiefer Valadares, que conhecera na época do momvimento estudantil na Bahia. "A repressão da ditadura militar foi intensificada e Carlos e Loreta foram presos, barbaramente torturados, juntos com diversos militantes, e, posteriormente, condenados a três anos de prisão e perda dos direitos políticos. Passaram, então, a atuar na clandestinidade."
Segundo os deputados Álvaro Gomes, Kelly Magalhães e Fabrício Falcão, "em razão das torturas sofridas, Loreta desenvolveu uma cardiopatia e, por não ter condições de tratamento no país, foram para a Argentina, onde permaneceram de 1973 a 1975. Depois, foram asilados na Suécia, até janeiro de 1980, quando, anistiados, retornaram ao Brasil, fixando residência na Bahia". Durante o período no exterior, participou das atividades de divulgação "da luta do povo brasileiro contra a ditadura, a luta armada contra os militares e, especialmente, a Guerrilha do Araguaia. Também nesse período, concluiu o curso de medicina no Karolinska Institutet de Estocolmo, tendo revalidado o diploma na Ufba".
Retornando ao país após a anistia, Valadares continuou a desenvolver atividades políticas pelo fim da ditadura militar, participou da reorganização do movimento sindical e popular, campanha das Diretas Já, da campanha de Tancredo Neves – ocasião em que foi preso pela Policia Federal, em 1984 – e de outros movimentos pelas liberdades e democracia, pela ampla mobilização e participação popular na Assembleia Nacional Constituinte. Integra a direção estadual do PCdoB desde 1980. Em 1986-1987, foi o primeiro Secretário do Meio Ambiente e Defesa Civil, de Salvador.
Atualmente, ele é diretor do Sindicato dos Médicos, membro da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho e da Associação Nacional de Medicina do Trabalho e da Associação Brasileira de Ergonomia. Aqui na Bahia, "atuou permanentemente em defesa da saúde pública e do SUS, por melhores condições de trabalho dos médicos e demais profissionais da saúde. Foi um dos responsáveis pela implantação do Cesat, órgão de referência em Saúde do Trabalhador, na Bahia".
Por fim, os deputados consideram que "por toda a sua luta política e por sua atuação profissional no estado da Bahia, a concessão do título a Carlos Antônio Melgaço Valadares constitui uma justa homenagem".
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