A morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, na última terça-feira, causou consternação na Assembleia Legislativa. Dois deputados, Marcelino Galo (PT) e Álvaro Gomes (PC do B), destacaram, em moção de pesar, a trajetória do político venezuelano. "Em 1975, Chávez ingressou na Academia Militar da Venezuela, e não demorou muito para que se tornasse tenente-coronel, em 1990. Sua ideologia esquerdista e a identificação com Simón Bolívar, um dos heróis da independência da Venezuela, o levaram a fundar o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR200), que pregava a reforma do Exército e a mudança da ordem constitucional vigente", disse Marcelino Galo (PT). O presidente foi vítima de um câncer na região pélvica, com o qual convivia há um ano e meio.
"Irresignado com a situação econômica e social da Venezuela, marcada por inflação e desemprego, em 4 de fevereiro de 1992, Hugo Chávez comandou um movimento contra o presidente Carlos Andrés Pérez, dando vazão ao sentimento de revolta da população venezuelana que, desde 1989, se manifestava contra a situação do país. O fato deu visibilidade a Chávez, que, após a anistia concedida pelo novo presidente Rafael Caldera Rodríguez, abandona a vida militar e passa a se dedicar à política", declarou Álvaro Gomes (PC do B).
Natural de Sabaneta, Oeste da Venezuela, filho de Hogo de los Reyes Chávez e Elena Frías de Chávez, o político deixa três filhas e um filho. Os parlamentares ressaltaram que a luta política e militar foi uma das questões que sempre marcaram a vida e obra de Chávez. Aos 17 anos, ingressou na Academia Militar da Venezuela, onde se graduou em Ciências e Artes Militares, ramo de Engenharia. "Eleito presidente da Venezuela em 1998, assumiu o cargo em 1999, rompendo com décadas de domínio dos partidos tradicionais. A partir de então, teve a oportunidade de iniciar um importante movimento político de extensão continental, que tem por pilar o anti-imperialismo e a resistência às formas de dominação neocolonialista das potências internacionais, que se renovam em busca da manutenção de um processo secular de exploração econômica", declarou Gomes.
As ações do presidente na área petrolífera também ganharam destaque na moção dos deputados. A Venezuela é o oitavo maior país exportador mundial de petróleo, que representa 80% das exportações. "Em 2001, ele havia baixado um decreto-lei conhecido como Lei dos Hidrocarbonetos, que fixou em 51% a participação do Estado no setor petrolífero, aumentou o preço dos royalties pagos por empresas estrangeiras pela exploração do líquido. E a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, do mesmo ano, estabeleceu a expropriação de terras improdutivas acima de cinco mil hectares", relatou Galo.
O destaque político da carreira de Chávez foi favorecer as classes mais pobres da Venezuela, com destaque para: a "Missiones Bolivarianas", programas sociais voltados à população carente, com 26 missões, as mais conhecidas são a Misión Robinson, que promove a alfabetização em regiões pobres e a Misión Barrio Adentro, que leva assistência médica a estas zonas.
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