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Dia Mundial do Rim é tema de audiência pública na AL

Publicado em: 13/03/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Evento realizado na manhã de ontem no Legislativo foi promovido pela Comissão de Saúde
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Prevenção. Esta foi a palavra de ordem que deputados e autoridades repetiram ontem incansavelmente durante audiência pública da Comissão de Saúde em lembrança ao Dia Mundial do Rim, que se comemora amanhã. Atualmente, 100 mil brasileiros são submetidos a hemodiálise e 400 pessoas por milhão de habitantes sofrerão, em futuro próximo, algum tipo de complicação renal, um mal que vem avançando significativamente no mundo inteiro e hoje é "uma epidemia em alta", como descreveu Eraldo Moura, coordenador estadual de transplantes.
Há 20 milhões de brasileiros sofrendo algum tipo de doença renal. Para evitar que o número de doentes aumente ainda mais, a única solução é a adoção de medidas preventivas. Hipertensão arterial, diabetes e obesidade são as principais causas das doenças renais crônicas e atitudes simples como dieta balanceada, diminuição na ingestão de sal, controle de peso e exercícios físicos podem salvar a vida de muitos brasileiros e evitar que engrossem a fila dos que necessitam de transplantes. Atualmente, 1.135 pessoas estão na fila única esperando por um transplante de rim no Brasil.

EXAMES

Segundo Márcia Chaves, da Associação dos Transplantados da Bahia, exames corriqueiros como sumário de urina e medição do índice de creatinina permitem diagnóstico precoce. Tratamento com células-tronco também são satisfatórios. José Vasconcelos de Freitas, presidente da Renal – Bahia, testemunhou em favor deste procedimento, que vem realizando com o médico Ricardo Chemas, atingindo alto índice de sucesso.
"Estamos distante do ideal, mas avançando na Bahia, especialmente com relação à quantidade de transplantes realizados. Em 2012, existiu crescimento de 59% neste tipo de operação e o Estado foi o que mais avançou. Assim como vem ampliando a rede de atendimento e interiorizando os serviços de nefrologia", afirmou Eraldo Moura.
Atualmente, há diversas unidades credenciadas para atendimento do paciente renal e a rede está sendo ampliada, sobretudo no interior. Segundo Eraldo Moura, já são 32 clínicas e mais quatro estão em fase de credenciamento. No interior, unidades para a realização de transplantes também estão sendo credenciadas em Feira de Santana, Juazeiro e Vitória da Conquista. Em Itabuna o processo está concluído e já foram realizados 11 procedimentos. Em Salvador, transplantes podem ser realizados nos hospitais Ana Nery (que vai passar a realizar também transplantes cardíaco e pulmonar) e São Rafael. Todas estas unidades são obrigadas a atender pacientes do SUS.
Porém, o governo enfrenta um sério problema. Não há disponibilidade de profissionais especializados na Bahia, informou Alfredo Boa Sorte, adiantando que o Estado tem importado profissionais nesta área para atender à demanda. Outro problema é quanto ao "subfaturamento" para aquisição dos medicamentos de uso contínuo, distribuídos gratuitamente. "São pagos R$ 1,98 por habitante/dia para sustentar o SUS", informou Boa Sorte, lembrando que com este dinheiro precisam ser cobertos todos os tipos de procedimento, dos mais simples aos de alta complexidade.
Outro problema foi apontado por Márcia Chaves. A fiscalização, sobretudo das clínicas que executam a diálise. Segundo a presidente da associação baiana, elas recebem cerca de R$ 3 mil por paciente a cada mês, "sobrevivem, e bem, deste serviço, mas não prestam bom atendimento". Há casos, denunciou, em que no lanche servido ao paciente o pão "é mofado" e água sem o devido tratamento é utilizada na hemodiálise. O Ministério da Saúde, continuou, acaba de destinar R$ 181,6 milhões para a realização destes serviços e a correta aplicação deste dinheiro precisa ser acompanhada de perto, disse.
Segundo Boa Sorte, a fiscalização dos contratos relacionados "a qualquer serviço de saúde que se encontre em gestão plena é do município". Mas mesmo assim, garantiu, denúncias podem ser encaminhadas à ouvidoria da secretaria estadual da Saúde que a auditoria será acionada e o problema, apurado.



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