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Sessão na AL debate conquistas, desafios e lutas das mulheres

Publicado em: 22/03/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

A Mesa dos Trabalhos contou com a participação de representantes dos mais diversos setores da sociedade
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Ao som da canção Você é Linda, de Caetano Veloso, o plenário da Assembleia Legislativa presenciou a celebração do Dia Internacional da Mulher. O encontro, organizado pela Comissão dos Direitos da Mulher, também teve como proposta celebrar as conquistas femininas e discutir os desafios das lutas das mulheres no Brasil.
A mesa de debate foi composta pela coordenadora geral de Cidadania e Acesso à Terra do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Isolda Dantas; a professora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre as Mulheres, Ana Alice Alcântara; e a secretária estadual de Políticas para as Mulheres,Vera Lúcia Barbosa. Também participaram a diretora da União Nacional dos Estudantes e representante da Marcha Mundial de Mulheres, Liliane Oliveira, e a coordenadora do Centro Humanitário de Apoio à Mulher – Chame, Jaqueline Leite.
A deputada Neusa Cadore (PT), presidente da Comissão de Direitos da Mulher, presidiu a sessão que abordou a inclusão produtiva, Reforma Política, programas e projetos da pasta, tráfico humano, exploração sexual e trabalhista feminina.
Na opinião de Neusa Cadore, as mulheres estão superando muitas barreiras, inclusive na última década, com o Partido dos Trabalhadores no comando do governo federal. "Foi o primeiro governo a entender que a luta da nossa classe era democrática e de direito", afirmou.
A parlamentar defendeu a valorização da mulher, que exerce um papel extraordinário, cuidando de sua casa, de sua família e da sua vida profissional. "Continuaremos donas de casas mas somos também presidentas, juízas, deputadas, costureiras, médicas, entre tantas outras", destacou.

VIOLÊNCIA

Segundo dados apresentados pela deputada, o Brasil é o 7º país com maior índice de casos de violência contra as mulheres; além disso, somente 2% desses crimes têm punição para o agressor, apesar da existência da tão conhecida Lei Maria da Penha.
Atualmente, em todo o Nordeste brasileiro, só existem 15 varas de Defesa da Mulher. Na opinião de Liliane Oliveira, apesar de todo avanço, as mulheres continuam sendo discriminadas no meio profissional independentemente da faixa etária. "Nós jovens somos massacradas em todos os sentidos, e a situação piora quando a mulher está grávida ou é negra. Mas seguiremos na marcha até que todas sejam livres desses preconceitos", ressaltou.
A invisibilidade do trabalho feminino é reflexo do modelo capitalista de nosso país na opinião da coordenadora geral de Cidadania e Acesso à Terra, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Isolda Dantas. "Cozinhamos todos os dias em milhares de casas, mas os grandes chefs de restaurantes são homens", explicou a coordenadora.
Ainda segundo Isolda, o governo de Dilma Rousseff tem contribuído positivamente com as ações do movimento feminista, a exemplo dos programas "Minha Casa, Minha Vida" e "Bolsa Família", onde o benefício do projeto é colocado em nome das mulheres e não, dos homens.
O tráfico feminino foi um dos principais temas abordados na sessão. Segundo a coordenadora do Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame), Jaqueline Leite, no Brasil, existem três tipos de vulnerabilidade que causam a imigração de brasileiras: a social, a financeira e a cultural, sendo que 80% das mulheres que se mudam para outro país são responsáveis financeiramente por suas famílias.
Jaqueline lembrou que, desde início da nossa colonização e a de outros países, a história da mulher está ligada à exploração sexual e trabalhista. "As mulheres saem do Brasil para terem mais respeito e reconhecimento do seu valor pela sociedade", afirmou.
A Reforma Política também é um anseio da classe. De acordo com a professora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre as Mulheres, Ana Alice Alcântara, os representantes do Brasil não têm interesse de aumentar o espaço das mulheres na Reforma Política, apesar de as mulheres somarem 51% do eleitorado brasileiro.
Com 12 senadoras e 47 deputadas federais representando a classe feminina, Ana Alice destaca a dificuldade de aprovação das propostas relativas ao gênero. "Os nossos projetos continuam sendo engavetados e a gente fica impossibilitada de legislar com uma composição dessa", afirmou a professora.
A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Vera Lúcia Barbosa, ressaltou a importância da construção de uma rede integrada de enfrentamento da violência, assim como a promoção de campanhas educativas contra a violência. Vera Lúcia também reforçou a importância de mudar a mentalidade e a cultura da sociedade para que compreendam e pratiquem a igualdade de direitos. "Vamos despertar a mulher que existe dentro de nós por uma Bahia melhor", finalizou.

HOMENAGEM

No final da comemoração, algumas deputadas e um deputado homenagearam mulheres que contribuíram com a trajetória de luta em defesa dos direitos femininos. Foram homenageadas as seguintes personalidades: a secretária Vera Lúcia Barbosa; a vice-reitora da Uneb, Adriana Marmori; a presidente da Câmara de Dirigentes Logistas de Guanambi, Alvisa Prates; a promotora pública de Feira de Santana, Idelzuith Freitas de Oliveira; a dona de casa Silvânia Maria da Mota Silva, que recentemente ficou conhecida em rede nacional quando denunciou a adoção ilegal de seus cinco filhos; Maria Lúcia dos Santos Pereira, coordenadora do Movimento Social da População em Situação de Rua; a delegada Valquíria Barbosa; a servidora da Assembleia Aidil Santos de Jesus e a professora Gilcélia dos Santos Silva.



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