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Discursos dos deputados foram centrados em temas importantes

Publicado em: 05/04/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Roberto Carlos, parlamentar mais votado na cidade, criticou o processo de privatização da água
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Oposicionista, Adolfo Viana cobrou uma maior atuação do governo na área da segurança

Uma jornada plena de debates, reivindicações, projetos e homenagens. Esta é a síntese da sessão de ontem da quinta Assembleia Itinerante realizada em Juazeiro. O Centro Cultural João Gilberto ficou pequeno para a quantidade de pessoas que afluíram desde cedo ao local para ouvir os parlamentares. O presidente Marcelo Nilo (PDT) abriu os trabalhos às 14h45 agradecendo o apoio do prefeito Isaac Carvalho e do presidente da Câmara de Vereadores, Pedro Alcântara Filho, para a realização do evento.

O primeiro pronunciamento da noite foi do deputado Roberto Carlos (PDT), o mais votado na cidade. Ele iniciou sua fala elogiando a iniciativa de Nilo de realizar sessões plenárias nas principais cidades do estado, entendimento que se repetiria em todos os discursos que se seguiram. Ainda sobre o presidente, lembrou que ninguém havia dirigido a Assembleia por quatro mandatos consecutivos e que “o seu futuro é auspicioso”.

O parlamentar pedetista aproveitou a ocasião para revelar sua preocupação a respeito de duas leis aprovadas recentemente pela Câmara de Juazeiro “privatizando espaços públicos, como mercados, terminais de transportes urbanos e das barcas, além do Serviço de Abastecimento de Água e Esgoto (Saae). “Como deputado, não posso me calar”, disse, acrescentando que possuía um abaixo assinado com mais de dez mil assinaturas contra a iniciativa.

Sobre este assunto, Joseildo Ramos (PT) também se pronunciou, posicionando-se contrário à privatização do serviço de água, lembrando que a Assembleia está justamente apreciando projeto de lei do Poder Executivo que torna sem efeito lei autorizativa de privatização da Embasa, sancionada em junho de 1999. No entender de Álvaro Gomes (PC do B), não se trata de privatização da água, mas autorização para que novos setores de expansão possam ser cedidos à exploração de outra empresa, seja pública ou privada. “O projeto foi aprovado na Câmara com votos de todos os partidos, só não foi unânime porque um vereador do PV foi contra”.

SEGURANÇA

A maior parte dos pronunciamentos ficou centrado no desempenho do governo do Estado, sendo defendido pela base e atacado pela oposição, com destaque para seca e segurança. O primeiro discurso neste sentido foi do segundo deputado mais votado em Juazeiro, Adolfo Viana (PSDB). Ele afirmou que “o governo está em grande débito com o Vale do São Francisco”, criticou a situação de diversas estradas, mostrou preocupação com a falta de segurança na região e pediu “obras estruturantes para captar água”, sob o argumento de que o estado chega a ter 40 vezes menos capacidade de acumulação em relação aos outros localizados no semiárido.

Já Yulo ocupou a tribuna para rebater as críticas, lembrando que o governador Wagner herdou o estado com estradas deterioradas e a polícia desequipada, e que a violência era tal que o antigo secretário chegou a determinar que não se registrasse assaltos a ônibus de pequena monta. O líder oposicionista, Elmar Nascimento (PR), por sua vez, acusou o Executivo de gastar R$160 milhões em propaganda para mostrar uma Bahia que não existe. “Qual herança que Wagner vai nos deixar?, Mas que democracia é esta em que os adversários são perseguidos?”.

SECA HISTÓRICA

“Parece que a seca só começou agora”, rebateu Maria del Carmem (PT), dizendo que não se pode retirar o atraso histórico em seis anos. Ela foi bastante aplaudida ao dizer que não se podia chegar nem a Casa Nova, em função das más condições da estrada e hoje se chega até Remanso em asfalto de boa qualidade. Luciano Simões (PMDB) fez o pronunciamento seguinte afirmando que todas as obras citadas são federais. “A estrada entre Uauá e Sento Sé, que é do estado, está parada até hoje”, disse.

Falando também de segurança pública, Adolfo Menezes (PSD) disse que se trata realmente de uma questão grave, mas que não se restringe à Bahia e que o governo sozinho não tem como resolver o problema. Ele encerrou o discurso citando diversas obras que estão sendo tocadas pela administração Wagner. Carlos Geilson (PTN) disse, no entanto, que nas ações do Executivo não há qualquer política concreta de combate à seca.

Cacá Leão (PP) também ressaltou a luta da atual gestão para fazer frente às necessidades do estado, mas Bruno Reis (PRP) disse que o Hospital de Juazeiro foi construído por Paulo Souto e inaugurado por Wagner. Por sua vez, Paulo Azi (DEM) lembrou as greves da PM e dos professores no ano passado. Já Deraldo Damasceno (PSL) reconheceu que houve investimento na aquisição de armamentos e viaturas, “mas esqueceram de ampliar o efetivo policial e hoje a violência atinge a todos”.

Sandro Régis (PR) disse ficar impressionado com os deputados governistas “tentando explicar o inexplicável”. Ele concordou que a violência é nacional, “mas os índices estão caindo em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, enquanto aqui estão subindo”. Marcelino Galo (PT) tratou de desconstruir a informação, trazendo dados da Folha de São Paulo dando conta de que há meses os índices de violência em São Paulo estão subindo. Ele também lembrou que Recife está enfrentando racionamento de água por causa da seca e desafiou Elmar a obter obras para a região com o ministro César Borges, de seu partido.

Augusto Castro (PSDB) pediu um desenvolvimento mais descentralizados com a alocação de indústrias em todas as regiões da Bahia. O Coronel Gilberto Santana (PTN), por sua vez, disse que esperava encontrar realizações do governo no Vale do São Francisco, “porque na minha região, o sul, não tem nada além de sonhos e ilusões”. O Capitão Tadeu (PSB) explicou serem naturais tanto as críticas quanto os elogios. “Nenhum governo é ruim ou bom de tudo”. Ele ainda defendeu a aprovação urgente do reajuste do funcionalismo.

Bira Corôa (PT) criticou governos anteriores, dizendo que a região foi esquecida no passado. Sobre a saúde, ele disse que “cinco hospitais construídos em seis anos doem muito porque eles não foram capazes de fazer melhor”. Euclides Fernandes (PDT) ressaltou o caráter democrático e republicano imprimido por Wagner. Marquinho Viana, por sua vez, elogiou o perfil de César Borges, à frente do ministério e apresentou pleitos para a região.

Fátima Nunes (PT) disse que se a oposição não consegue ver o que vem sendo feito em Juazeiro, o caso é para oftalmologista, enquanto Fabrício Falcão (PC do B) se mostrou orgulhoso por apoiar uma política que tirou o país do caos. Aderbal Caldas ponderou que, se Wagner tem que fazer algumas obras é porque não foram feitas no passado, por governo que também fizeram outro tanto. Zé Raimundo (PT) defendeu o desenvolvimento do Nordeste como um todo. “Nossa região sempre foi muito discriminada”. Carlos Brasileiro (PT) ocupou a tribuna para afirmar que o Água Para Todos abasteceu a Bahia com água de qualidade.















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