Três denúncias referentes à violência policial e à prática de racismo foram amplamente discutidas e incorporadas ao plano de ação e defesa da Comissão da Promoção da Igualdade e Intolerância Religiosa, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT), em sessão ordinária, ontem pela manhã. O colegiado tinha agendado inicialmente uma audiência pública com o tema “Políticas Públicas para as Comunidades Quilombolas”, entretanto, devido à marcha do Movimento do Sem Terra (MST), que partiu ontem pela manhã, de Camaçari para Salvador, alguns convidados importantes para o debate não puderam comparecer, à exceção apenas de um dos líderes, João Lopes.
Inicialmente, a comissão debateu a violência policial praticada numa praça da cidade de Nazaré das Farinhas contra várias pessoas, inclusive contra o vereador do município, conhecido na região como Manoel, e seus familiares, que também estavam no local. Os policiais militares agrediram Manoel, não tomando conhecimento da sua autoridade na cidade só porque o mesmo, depois de se identificar, sofreu ofensas e reclamou da postura de colocar as mãos pra cima, como se fosse um marginal. Manoel teve comprovado no exame de corpo delito que realmente foi agredido covardemente pelos policiais militares.
Depois, ainda sobre violência policial, O Babalorixá Anderson Argolo, conhecido como Pai Anderson de Oxalá, líder religioso de Matrizes Africanas, no terreiro Ilê Axé Ala Obatalandê, prestou queixa contra a perseguição policial sem motivo algum, depois que o mesmo saiu de um supermercado e se dirigiu a um outro. Apesar de operado dos rins, Anderson foi agredido barbaramente, na frente dos moradores do bairro de Vida Nova, onde reside. Os policiais ainda agrediram dois filhos de santo que acompanhavam pai Anderson só porque, segundo eles, os mesmos afirmaram que estavam desempregados. Um dos policiais alegou desacato e pressionou sua arma tipo rifle contra o rosto de um deles.
A terceira denúncia foi de racismo contra duas mulheres, as irmãs Áurea e Dulce Santos. Segundo relato delas, ambas olhavam as mercadorias na prateleira de artigos da Loja Le Biscuit, em Camaçari, quando foram acusadas de furto. As mulheres foram abordadas por uma funcionária que solicitou que elas abrissem a bolsa, onde foi constatado que não havia furto. A polícia foi acionada e as vítimas orientadas a entrarem com um processo judicial.
“ A comissão vai acompanhar todas essas denúncias. Aliás, como sempre fazemos. Não podemos aceitar esse tipo de comportamento de alguns policiais militares e muito menos de funcionários de um loja no caso do racismo”, afirmou Bira Corôa, com apoio integral da colega Maria Luíza Laudano (PSD).
Bira Corôa fez questão, ainda, de parabenizar o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), pela realização de mais uma edição da Assembleia Itinerante, desta vez na cidade de Juazeiro, quando foram aprovados projetos de grande importância.
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