Lembrado em todo o mundo em 7 de março, o Dia Mundial da Saúde foi comemorado na Assembleia Legislativa com extensa programação de palestras voltadas à saúde visual da população. Mais de 500 pessoas participaram na manhã de ontem, no auditório do Edifício Senador Jutahy Magalhães, novo Anexo da Assembleia Legislativa, evento.
O idealizador das atividades foi o deputado estadual José de Arimatéia (PRB), que, como presidente da Comissão de Saúde e Saneamento do Legislativo, procurou contemplar a população com informações referentes a necessidade de se adotar uma mentalidade preventiva à doenças, especialmente as Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), responsável por 72% das mortes no Brasil.
“Estamos na década da prevenção, e nós autoridades precisamos adotar estratégias de enfrentamento das DCNT no Brasil junto às comunidades. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que até 2022 os cofres públicos venham a gastar aproximadamente 47 trilhões de dólares com essas doenças, algo equivalente a 5% do Produto Global Bruto”, ressaltou Arimatéia.
Já no contexto internacional, o Brasil está atrasado em pelo menos 50 anos no que tange ao uso em larga escala da tecnologia disponível no mundo. A informação é do optometrista Helmann Cruz, especialista da Colômbia, que completa: “quando o Brasil tinha população estimada em 180 milhões de habitantes, metade deste contingente apresentava algum tipo de problema visual”.
Dos que necessitavam de assistência médica, “apenas “35% da população brasileira contava com tratamento. Os outros 65% estavam abandonados”. Não há, também, política pública de prevenção e o país tem apenas oito mil profissionais especializados nesta área, completa Cruz. Para ele, é necessária a existência de agentes multiplicadores de promoção da prevenção, tarefa que termina por recair sobre os optometristas que, além desta tarefa, tem mais uma considerada de fundamental importância: a educação da população.
ALERTA
Os males que afetam a visão, diz o médico, não podem ser evitados. “Há uma predisposição genética” para o surgimento das patologias funcionais ou hereditárias, a exemplo dos problemas de refração – hoje a terceira maior causa de morbidade no mundo e que afeta, principalmente, as crianças – e de catarata.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, dentro de sete anos 125 milhões de pessoas no mundo apresentarão problemas de visão, 80 milhões delas com perspectivas de cegueira. Por isso a OMS lançou o programa Visão 2020, uma tentativa de controlar a cegueira no mundo.
O Brasil precisa se inserir neste esforço, uma vez que no país “há pouca cobertura da saúde visual”, diz Helmann Cruz. Na Bahia, a situação é ainda pior. “Há um optometrista para cada 140 mil habitantes”, adianta Jasiel Araújo, presidente da Sociedade baiana de Óptica e Optometria, defensor de uma política pública para o Estado voltada para a “cultura da prevenção” dos males da visão. Hoje a “política é curativa”, diz.
O problema ultrapassa o campo das políticas sociais para se tornar uma questão de desenvolvimento. Segundo o médico, um cidadão com cegueira funcional deixa de produzir, causando perdas econômicas e financeiras ao Estado, o que seria um contrasenso. Araújo defende a criação de legislação específica que não somente trate da questão, como também redefina as competências legais do optometrista, hoje impedido de receitar, seja medicamento, seja óculos aos pacientes.
Esta lei permitirá aos optometristas “participarem da saúde da população de fato”, direito que os profissionais somente têm assegurado através de recursos judicais. Na Bahia a situação se agrava ainda mais no interior. “Não há um só oftalmologista que resida em município com menos de 50 mil habitantes”, alerta o presidente da Sociedade Baiana de Óptica e Optometria.
A legislação é falha também sob o ponto de vista das óticas. Segundo Juarez da Hora, presidente do Sindióptica-Bahia e Coordenador da Câmara Brasileira de Produtos Ópticos, falta uma atuação rigorosa das autoridades para coibirem as ilegalidades na venda de produtos como óculos, por exemplo. “A legislação é antiga” e ineficiente, diz, chamando a atenção para os danos à saúde causados por produtos de venda clandestina e ilegal.
A programação de ontem do Dia Mundial de Saúde fez parte de audiência pública da Comissão de Saúde e Saneamento e esteve composta por palestras dos médicos Ricardo Heinzelmann, que falou sobre a importância da atenção básica na prevenção e promoção da saúde; de Reni Marrie Chaves, com o tema Diabetes no contexto atual da saúde; de Juarez da Hora, Coordenador da Câmara Brasileira de Produtos Ópticos, que falou sobre Importância da Óptica na Saúde e Prevenção Visual; de Pedro Silveira, que abordou A interatividade oftalmologia-optometria na saúde ocular do Brasil.
Foram palestrantes também Jasiel Araújo, com o tema importância da optometria e da prevenção da cegueira na Bahia; Ricardo Bretas, que falou sobre Importância da optometria e da prevenção da cegueira no Brasil e Helmann Cruz, com o tema importância da optometria e da prevenção da cegueira no mundo. Além das palestras, houve a realização de exames gratuitos de vista.
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