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Aumento de agressões contra minorias preocupa deputados

Publicado em: 23/04/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Série de denúncias marcou a sessão da Comissão da Igualdade presidida pelo deputado Bira Corôa
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Um conjunto de denúncias de racismo e intolerância religiosa marcou a sessão ordinária da manhã de ontem na Comissão Especial da Promoção da Igualdade, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT). A sessão contou com a presença de Lucas Neto, coordenador da Promoção da Igualdade de Camaçari, Edson Costa, gerente das ações afirmativas e Promoção da Igualdade de Lauro de Freitas, do Babalorixá Anderson de Oxalá, Moacir Pinho, marido da mãe de santo Bernadete do terreiro Ilê Axé Odé Omin Ewá, da mãe de santo Jaciara, do pastor Bira e de estudantes de Direito da Unime.
O presidente do colegiado iniciou a sessão preocupado com o crescimento alarmante de agressões às minorias, após o posicionamento “racista e homofóbico” do deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. “Tivemos conflitos mais intensos após essas declarações racistas e homofóbicas do presidente da Comissão dos Direitos Humanos [Marco Feliciano]. Sem falar no aumento de casos, tenho medo de desencadear em uma guerra”, declarou o parlamentar que aproveitou o momento para falar que também já foi vítima de preconceito racial.
“Me chamavam de neguinho quando eu era menino, no momento que optei para sair da minha cidade e vir para a área urbana estudar, virei o pobre querendo ser rico, o negro querendo ser branco”.

 AGRESSÃO

Entre as diversas denuncias apresentadas estavam a da esposa de Moacir, conhecida como a mãe de santo Bernadete Souza Ferreira, que foi agredida em 2010 pela polícia e jogada em cima de um formigueiro em Ilhéus durante o momento de “incorporação” religiosa. “Fomos extremamente violentados em Ilhéus, companheira Bernadete foi arrastada pelos cabelos, Oxóssi (orixá da religião) incorporou e os policiais jogaram ela no formigueiro, dizendo que estavam expulsando o diabo”.
Neutralizar e aniquilar os inimigos é a dinâmica da Polícia Militar do Estado, os inimigos são os negros, os índios, os gays, os candomblezeiros”, desabafou Moacir, que pediu atenção das autoridades públicas. “Estamos sendo chacinados, violentados, desrespeitados. Até hoje não temos conta do relatório”. Um caso mais recente exposto na sessão foi do babalorixá Anderson Argolo, conhecido como pai Anderson de Oxalá, que foi agredido em Lauro de Freitas no inicio do mês de abril durante uma abordagem policial.

 IRONIA

O babalorixá contou que os policiais o abordaram com armas em punho e aos gritos, quando então um deles o pressionou para se abaixar, inclinando seu corpo. Anderson disse ao policial que tinha passado por uma cirurgia na semana anterior e que sofre de problemas renais, pedindo cuidado, quando então o policial o pegou pelo pescoço e esfregou o rosto no capô do veículo, mandando que ele só falasse diante de alguma pergunta.
 “Há quatro anos fui convidado para compor a cartilha de intolerância religiosa por esta Casa e hoje, por ironia do destino, retorno aqui como vitimado. Até quando viveremos este absurdo? Quando eu me identifiquei como líder religioso do município, o policial disse que não era obrigado a saber quem eu era. Será que se fosse um padre eu passaria por aquela situação?”, questionou o religioso. 
Casos recentes como o do líder espiritual Táta Ricardo, do vereador Manoel da Paixão (PT) da cidade de Nazaré das Farinhas e da mãe de santo Jaciara também foram debatidos pelos presentes. “Não é admissível em pleno seculo XXI nós assistirmos coisas tão absurdas. Eu sugiro que venha um responsável da polícia civil e outro da polícia militar para se posicionarem e ouvirem esses absurdos aqui”, sugeriu a deputada Maria Luiza Laudano (PSD). O deputado Bira Corôa irá marcar uma audiência pública com a presença das instituições e autoridades públicas, na tentativa de eliminar essas mazelas que têm acontecido frequentemente no Estado.



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