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Homenageado destacou ações em prol do coletivo

Publicado em: 26/04/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Dultra Cintra relembrou batalha pela autornomia do Poder Judiciário
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Ao ocupar a tribuna do plenário para agradecer o título oferecido pela Assembleia Legislativa, o desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra fez uma análise existencial, ao considerar que “as honrarias em vida trazem o carimbo da longevidade do outorgado”. Segundo ele, “os jovens, talvez por possuírem o mais ambicionado troféu da vida que é a mocidade, mesmo merecendo-as, são esquecidos até que o carimbo do tempo e suas trajetórias os tragam para a liça de futuros homenageados”.
Considerando a concessão do título uma fidalguia do deputado Euclides Fernandes e dos demais deputados que aprovaram a proposta por unanimidade, Cintra se confessou envaidecido e ressaltou a honestidade da outorga, por ser oferecida justamente “quando estou alcançado pela compulsória, desatrelada de qualquer interesse  que viesse tisná-la pelas fraquezas humanas”.
Ao longo do seu pronunciamento, o desembargador citou Orlando Gomes para afirmar que desempenhou seus cargos públicos “de maneira política, na medida em que auscultava o interesse público e social”. O homenageado contou aos presentes o desenvolvimento da carreira dentro do Ministério Público e o desenvolvimento do próprio órgão, que tinha atribuições quase que restritas à área criminal. “No curso desta caminhada, com o advento da Lei de Ação Civil Pública, e mais tarde da Constituição de 1988, pode a sociedade perceber a importância do Parquet, ampliadas aquelas atribuições, incluindo a defesa dos direitos transindividuais ou difusos e principalmente a defesa intransigente do regime democrático”, contou.
Cintra citou ainda o escritor Álvaro Moreyra, Josaphat Marinho, Josué Montello e o próprio João Mangabeira para reforçar sua visão do direito e da justiça. Segundo ele, desde que foi nomeado pelo então governador Antonio Carlos Magalhães para ocupar a vaga no Tribunal de Justiça, cumpriu “a missão de julgar, tendo sempre presente a visão de que se busque primeiro o justo para depois ampará-lo na dogmática e na lei”.
“Estou inclinado a pensar que esta manifestação de carinho que hoje recebo se deve a minha atuação à frente do Tribunal de Justiça, quando, junto com os desembargadores, juízes, serventuários e funcionários, demos uma nova dinâmica ao Poder Judiciário, principalmente quando proclamamos nossa independência e autonomia, anseio de todo povo baiano”, disse, lembrando que “não foram poucas as indisposições e tentativas de intromissão na busca do retrocesso, mas a força moral dos atores engajados naquele processo de soerguimento da magistratura baiana dissipou todas as escaramuças”.
Dultra Cintra mostrou-se ainda convicto de que a homenagem não procurou dignificar o homem, “mas as ideias que defendeu durante todo esse tempo, em todos os cargos público que exerceu. Não se aplaude o nome, mas celebra-se o estímulo e a solidariedade à ideia de que tudo pode ser feito em prol da coletividade, no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário”.



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