Para comemorar o Dia Internacional da Dança, a Assembleia Legislativa realizou ontem a “mais longa sessão especial dos últimos tempos”, segundo seu proponente Marcelino Galo, do PT, para quem é necessária a existência de políticas públicas que incentivem esta linguagem artística na Bahia. E esta “é uma obrigação do Estado”, disse. Na sua análise, a Bahia é pródiga em criatividade e dançarinos e a sessão de ontem “substituiu o discurso da retórica, que nem sempre é verdadeiro, pelo discurso corporal da dança, que não mente”. Desde o dia 22, informou Galo, a Assembleia vem comemorando o Dia da Dança.
A sessão homenageou também o ex-ministro da Cultura e atual secretário municipal da pasta da cidade de São Paulo, Juca Ferreira, “que, junto com Gilberto Gil, os dois baianos, foi quem mais abriu possibilidades e opções para a dança” no Brasil. Segundo o ex-ministro, “a dança é a expressão mais enraizada na Bahia”. Há 15 anos, conta, “um teatrólogo alemão esteve aqui” e declarou que esperava encontrar um Estado que, como o Brasil, fosse essencialmente musical. “Mas descobriu que a dança é a linguagem mais forte do Estado”, disse Juca Ferreira.
“É uma expressão sofisticada, complexa e vital na Bahia”, adiantando que somos pródigos nesta linguagem. Há dança por todo lado na Bahia, disse, citando o candomblé, o carnaval e até mesmo “festinhas particulares” onde o corpo sempre está se expressando. Juca Ferreira destacou ainda o fato de a Bahia ter conseguido até hoje preservar “muitas raízes africanas” na linguagem da dança, e “nisso superamos os europeus e os anglo-saxões”.
EMPREGOS
Esta análise é partilhada pela pró-reitora para Assuntos Estudantis da Universidade Federal, Dulce Aquino. A capacidade de criar dos baianos é extraordinariamente rica, diz ela, que também defende o estabelecimento de políticas públicas voltadas, em especial, à profissionalização de docentes. “É preciso concurso público para contratação de professores de dança, que dê emprego a esses docentes, que dê emprego aos bailarinos e coreógrafos”, ponderou.
A Bahia, completa, tem potencialidade em diversos segmentos. “Temos a melhor escola técnica de dança, a da Fundação Cultural. Temos a melhor escola de dança no âmbito do ensino superior, a da Ufba. O único curso de pós-graduação em dança está na Bahia e até mesmo este dia em que se comemora a dança surgiu aqui no ano de 2000”. O Dia Internacional da Dança é comemorado em 29 de abril e foi instituído pelo Comitê Internacional da Dança da Unesco.
A data foi escolhida por ser nascimento do francês Jean-Georges Noverre, que tinha como proposta “atribuir expressividade à dança por meio da pantomima, a simplificação na execução dos passos e a sutileza nos movimentos. Noverre se destaca na história por ter escrito um conjunto de cartas sobre o balé de sua época, Letters sur la Danse”.
Para os brasileiros, “a data também pode estar associada ao aniversário de uma personalidade de indiscutível importância: Marika Gidali, a bailarina que, com Décio Otero, fundou o Ballet Stagium em 1971, em São Paulo, para inaugurar no Brasil uma nova maneira de se fazer e apreciar dança”.
Participaram desta sessão especial, além do deputado Marcelino Galo, Juca Ferreira e Dulce Aquino, o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro; a diretora da Fundação Cultural, Nelhe Frankie; o Coordenador de Dança da Funceb, Mathias Santiago; Clara Trigo, do Colegiado de Dança na Bahia a Lúcia Matos, do Forum de Dança. Antes da sessão, o grupo Trampolim fez uma breve apresentação no saguão Josaphat Marinho.
Dia Internacional da Dança
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