Quarta-feira , 29 de Junho de 2022

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Zélia Gattai é Cidadã Baiana

Publicado em: 11/08/2005 10:38
Editoria: Diário Oficial

A escritora, viúva de Jorge Amado, recebe o título das mãos de Clóvis Ferraz, sob os aplausos de Paulo Souto, Eraldo Tinoco e Manoel Castro na homenagem unânime da Assembléia
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A paulistana Zélia Gattai Amado tornou-se cidadã baiana ontem, exatamente às 18h, quando recebeu das mãos do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Clóvis Ferraz (PFL), o diploma que formaliza uma comunhão acontecida há quase 60 anos quando ela ligou-se de forma indelével à Bahia e aos baianos ? conseqüência da sua união com o seu amado Jorge. A entrega do título de Cidadã Baiana, proposto através de projeto de resolução pelo próprio Clóvis Ferraz e aprovado à unanimidade, aconteceu em sessão solene que contou com a presença das maiores autoridades civis, militares e eclesiásticas do estado.

Romancista, memorialista e fotógrafa de reconhecido talento, Zélia Gattai Amado chegou à Assembléia às 16h50, acompanhada dos filhos João Jorge e Paloma, sendo recepcionada na rampa de acesso ? guarnecida por tapete vermelho ? pelo presidente e lideranças políticas da Casa. Foi conduzida ao Salão Nobre, onde aguardou junto com o governador Paulo Souto que a comissão de deputados designada pelo presidente Clóvis Ferraz os conduzisse ao plenário, onde foram longamente aplaudidos pelas 300 autoridades e convidados que lotaram o local. A homenageada entrou de braço dado com o filho, João Jorge.

O plenário estava engalanado com arranjo floral predominantemente amarelo, sua cor predileta, assim como a do orixá de sua devoção, Oxum. Ela foi recepcionada com uma canção louvando a baianidade, entoada pela cantora Tarcila Miner, que bem evoca imagens de uma Bahia alegre e mágica ? a que conheceu pelas mãos de Jorge Amado, o baiano que melhor descreveu esta terra e sua gente. Onze painéis foram afixados no salão verde que dá acesso ao local com fotografias de Zélia e de sua amada família.

Os trabalhos começaram às 17h10 com a constituição da mesa pelo presidente da Casa, que designou os deputados Eliana Boaventura (PP),Sônia Fontes (PFL), Reinaldo Braga (PFL) e Paulo Azi (PFL) para acompanhar ao plenário a homenageada e o governador Paulo Souto. Inicialmente, o mestre de cerimônia da Assembléia, Francisco Raposo, leu um texto do escritor e acadêmico Guido Guerra, amigo de Zélia e Jorge, em que retrata com ternura memórias de tempos idos e deixa patente a baianidade completa da homenageada, o valor literário de sua obra e a importância da sua presença ao lado de Jorge Amado na rica vida em comum construída em mais de meio século de união. Longos aplausos se seguiram ao encerramento da leitura.

Discursou em seguida Clóvis Ferraz, "consciente de conduzir apenas um ato formal a chancelar uma profunda realidade de muitos anos". Em sua fala, ele registrou ainda o fato de Zélia haver nascido num dia muito particular para os baianos, o Dois de Julho, dia da independência da Bahia, "uma coincidência não fortuita", arriscou. A escritora ouviu com emoção os dois pronunciamentos e não conteve a emoção ao receber das mãos do presidente do Legislativo o diploma que formaliza a sua cidadania. Fez em seguida o seu agradecimento repleto de evocações do saudoso marido, dos filhos e dos muitos amigos que conquistou aqui e no mundo. Boa contadora de histórias que é, temperou a sua fala com alguns dos muitos casos em que esteve envolvida, colocando humor e ainda mais ternura no plenário. Zélia foi aplaudida de pé por quase dois minutos.

Antes do encerramento dos trabalhos, a cantora Tarcila Miner, acompanhada da tecladista Kalinca, homenageou Zélia e Jorge com um mix de músicas inspiradas em personagens do escritor, como Tiêta e Gabriela, encerrando com uma homenagem direcionada a Zélia, na canção Maria, Maria ? "que tem fé na vida". A sessão foi encerrada às 18h20, sendo a "baiana" Zélia Gattai conduzida ao saguão que antecede o plenário para receber os cumprimentos. O local foi esmeradamente decorado pela equipe do Cerimonial da Casa, com arranjos formais em mesas colocadas no local e estruturados em bases de vidro. As plantas usadas ? vime, chorão, lírios e gérberas ? igualmente têm como cor predominante o amarelo. Um painel de dupla face com fotos do casal Zélia/Jorge foi fixado no teto. Ela se retirou cerca de uma hora depois.



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