Professor de educação física e militante da educação esportiva como meio de inclusão social, o paraibano Reginaldo Nunes Sacramento é agora cidadão baiano. O título foi entregue ontem, em sessão especial no plenário da Assembleia Legislativa presidida pelo deputado Capitão Tadeu Fernandes (PSB), proponente da honraria. “Um homem não escolhe o lugar onde nasce, mas pode escolher o lugar onde vai criar e construir sua família e exercer a sua cidadania. Esse é o caso de Reginaldo Sacramento, que educou milhares de baianos, que agora são oficialmente seus conterrâneos, através do exemplo do esporte", disse o socialista.
A abertura da solenidade foi feita pelo presidente da Casa, Marcelo Nilo, que formou a mesa dos trabalhos e entregou o Título de Cidadão a Reginaldo Sacramento. O presidente, que é um fanático por esportes, elogiou a indicação do educador para receber a cidadania baiana e reafirmou a sua crença na atividade como um fator de proteção dos jovens e adolescentes contra a criminalidade e o uso de drogas. “Essa nossa Bahia de todos os santos é também agora a Bahia de Reginaldo Sacramento”, declarou.
Assumindo a condução dos trabalhos, Capitão Tadeu disse que a Assembleia Legislativa recebe muitas crítica da imprensa pelo que chamam de excesso de homenagens e títulos de cidadão oferecidos pela Casa e ressaltou que muitas vezes essas críticas são infundadas. “Apesar de não ser a nossa preocupação principal, não podemos apenas pensar no desenvolvimento social e na economia. É importante que o parlamento reconheçam as pessoas que trabalham pela Bahia”, disse o deputado.
HISTÓRICO
O Sesi do Caminho de Areia foi muitas vezes citado na solenidade, tanto pelo homenageado quanto pelos amigos que acompanharam a solenidade, que se autodenominaram como “Família Sesi”. Foi lá, no começo da década de 70 que Reginaldo Nunes e muitos outros atletas baianos tiveram a sua iniciação esportiva, praticando basquetebol, handebol, atletismo, natação entre outras modalidades.
Da mesma forma que o Sesi foi louvado como grande incentivador do esporte amador na capital, a reclamação pela falta de uma efetiva educação esportiva na Bahia do século XXI foi unanimidade entre os participantes da sessão especial. Segundo o secretário de esporte de Cachoeira, Juracy Rocha, excluindo algumas poucas ações isoladas no interior do Estado, a educação física e o esporte escolar “é uma vergonha”.
“Não estamos dando valor ao esporte, Salvador está entregue as moscas. Essa homenagem não é só para Reginaldo, é também um alerta de que o esporte na Bahia está agonizando”, afirmou o secretário.
Após os depoimentos de familiares e amigos, Reginaldo subiu a tribuna bastante emocionado e confessou que se afastou do esporte pela decepção sofrida nos últimos anos. Ele disse que se antes havia reclamação pela falta de qualidade do ginásio Balbininho e da piscina do parque aquático da Fonte Nova, agora a população não dispõe nem mesmo destes equipamentos. “Para praticar atletismo precisamos ir para Simões Filho, se quisermos nadar só em Valença e quadras poliesportivas só em escolas. Escolas particulares”, lamentou.
Como os outros oradores, Reginaldo lembrou o fundamental papel do Sesi na formação de atletas baianos na década de 70, que chegaram a seleção brasileira e até aos Jogos Olímpicos. “Não entendo o que está acontecendo e qual a consequência disso para o esporte baiano e a sociedade. Mas agradeço aos parlamentares por essa homenagem, e o carinho e acolhimento dos amigos nesse momento tão especial da minha vida”, completou.
CURRÍCULO
Natural da Paraíba, Reginaldo Nunes nasceu em 25 de março de 1960, em João Pessoa, chegando na Bahia em 1969. Vinte anos depois, se formou em Educação Física pela Universidade Católica de Salvador. Nesse ínterim, não parou de estudar e dedicar sua vida ao esporte amador baiano e brasileiro. Em 1974, iniciou a prática de basquete e handebol no Sesi, sendo campeão infantil do torneio Antônio Moura Costa.
Foi integrante da Seleção Baiana de Basquetebol Estudantil, em Brasília (DF). Integrante da equipe infantil do Sesi, que disputou o Campeonato Brasileiro de Sesis, onde foi campeão. Foi ainda campeão baiano estudantil de baquete e handebol, sendo considerado o melhor jogador de handebol do ano de 1976. Atleta da equipe juvenil de basquete do Esporte Clube Periperi, no torneio Leslie Adalmo, e do Clube dos Oficiais da Polícia Militar.
REDES SOCIAIS