Aconteceu na manhã de ontem no plenário da Assembleia da Assembleia Legislativa uma sessão especial pelo Dia Mundial de Combate à Homofobia, que é comemorado no dia 17 de março. O evento, promovido pelo deputado estadual Bira Corôa (PT) em parceria com o Fórum Baiano LGBT e Comissão Especial da Promoção da Igualdade, contou com a presença de autoridades e militantes vinculados ao segmento LGBT.
Fizeram parte da mesa nomes como o de Paulete Furacão, primeira transexual a assumir um cargo na Secretaria Estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH); Milena Passos, da Associação de Travestis de Salvador; Wesley Moreira, representando o secretário de Turismo do Estado, Domingos Leonelli; Osvaldo Fernandez, coordenador do grupo Diadorim; Suely Messeder, da Uneb; Wesley Francisco, do Fórum Baiano LGBT; Martinha Sá, ativista LGBT; entre outros.
“O dia 17 de maio, dia do combate à homofobia é para esta Casa uma ação de respeito. No Brasil estamos vivendo um momento de conquista e de enfrentamento também. Vivemos no Congresso Nacional o nome de um parlamentar na Comissão de Direitos Humanos que tem declaradamente visões racistas, de intolerância religiosa e homofóbicas. Quero abrir essa sessão externando meu repúdio pela Comissão de Direitos Humanos”, declarou o deputado Bira Corôa, presidente da Comissão Especial da Promoção da Igualdade, que fez duras criticas ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP).
Após a abertura dos trabalhos, a travesti Marina Garlen apresentou para a plateia um musical trazendo um tom mais leve para a sessão especial. O coordenador do grupo Diadorim, Osvaldo Fernandez, aproveitou o evento para solicitar a criminalização da homofobia. “Não há no mundo um acervo tão grande de homossexuais catalogados como no GGB (Grupo Gay da Bahia), presidido pelo Luiz Mott”, disse.
E completou: “Esses casos continuam acontecendo no país porque não existe uma lei. Assim como acontece em relação aos negros e às mulheres, precisamos da aprovação da criminalização da homofobia. E os deputados cristãos, que de Cristo não tem nada, não contribuem para a aprovação. A cada 66 horas um assassinato de gay é visto nos jornais. Em cada família há um ou dois homossexuais. Eu apelo para que as famílias solicitem aos seus parentes ações dos seus deputados”.
ASSASSINATO
A travesti Milena Passos, da Associação de Travestis, lembrou durante sua oratória do recente assassinato do universitário Itamar Ferreira Souza, que comoveu a sociedade baiana ao ser encontrado morto na Praça do Campo Grande, em Salvador. “Queria pedir desta Casa e do governo da Bahia mais ações no combate à homofobia, lesbofobia e transfobia. Vai precisar morrer mais gente pra uma lei ser aprovada?”, lamentou.
O evento contou ainda com a apresentação do grupo As Poderosas de Mata de São João que empolgou a todos com a presença de homens usando trajes femininos. A professora Suely Messeder, representante da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) polemizou a sessão ao pedir uma reflexão desta Casa em relação a religião.
“Se vivemos em um país laico, temos que começar a transformar a nossa própria casa, estamos na nossa Casa, na casa do povo e tem uma representação religiosa aqui no plenário. Ou retiram este crucifixo ou colocam todas as representações religiosas aqui no plenário, é um apelo que faço como acadêmica”, reivindicou Suely.
A sessão, que começou com duas horas de atraso por conta das fortes chuvas que caíram na cidade, contou também com a presença dos deputados Marcelino Galo (PT) e Álvaro Gomes (PC do B).
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