A indústria sofre um contínuo processo de deslocamento atrás de mão-de-obra mais barata. Ela surgiu na Inglaterra e, progressivamente, migrou para o resto da Europa, Estados Unidos, América Latina, nas décadas de 1960 e 1970. Hoje concentra sua produção na China, mas já está caminhando em direção a “periferia” da Ásia, em países como o Vietnã, Camboja e Indonésia.
“No futuro ela se concentrará na África, que será o último continente de salários baixos no planeta”, considera diretor da Secretaria do Planejamento da Bahia (Seplan), Paulo Henrique de Almeida, um dos palestrantes do seminário “As razões e desrazões do desenvolvimento, industrialização, desindustrialização ou pós-industrialização, desenvolvimento sustentável”.
O evento foi proposto pelo deputado Leur Lomanto Júnior (PMDB), presidente da Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa da Bahia e organizado pela Assessora de Meio Ambiente, Bete Wagner. Representantes da comunidade acadêmica e técnicos dos mais diversos órgãos do governo estadual participaram do seminário que, além de Paulo Henrique de Almeida, contou com os seguintes palestrantes: o economista Daniel Negreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Giuseppe Culo, também da UFRJ e o sociólogo Elimar Nascimento, da Universidade de Brasília (UnB).
Durante o seminário, os acadêmicos trataram do embate entre o desenvolvimento econômico e a necessária preservação do meio ambiente. O sociólogo Elimar Nascimento observou, por exemplo, que dentre de alguns anos cerca de 150 milhões de pessoas ascenderam a classe média no mundo e irão buscar os recursos que ficarão cada vez mais escassos. “Teremos que fazer escolhas, porque simplesmente não haverá recursos para todos, se os habitantes dos países desenvolvidos mantiverem os níveis de consumo atuais”, afirmou.
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