A polêmica construção de um quebra-mar de 330 metros na Praia da Preguiça, localizada na Avenida Contorno, tornou-se pauta na Assembleia Legislativa na manhã de ontem na Comissão Especial de Desenvolvimento Urbano. Os deputados discutiram as possibilidades de intermediar o debate entre a população, contrária à obra, e a Bahia Marina, responsável pela construção do quebra-mar.
Segundo a presidente do colegiado, deputada Maria del Carmen (PT), que foi procurada pelas comunidades que vivem no entorno da praia, os moradores questionam a diminuição do espaço da praia com a construção do quebra-mar e os riscos ambientais causados pela obra. "Eles estão muito angustiados com essa situação e querem vir conversar conosco para apresentar esses dados", destacou.
O quebra-mar faz parte do projeto inicial da Bahia Marina, ainda quando inaugurado, em 1999. De acordo com uma nota veiculada pela Bahia Mariana, o objetivo da obra é diminuir o impacto das ondas sobre a bacia de atracação em dias de vento forte e mar agitado. Na resposta da empresa, ainda consta "que a obra evitará o deslocamento da areia da Praia da Preguiça, segundo os estudos realizados durante mais de uma década, com o aval de técnicos dos órgãos de controle ambiental".
A Praia da Preguiça está situada num dos trechos mais famosos de Salvador (o patrimônio histórico do bairro é vítima de veloz degradação). Próxima ao Elevador Lacerda, Mercado Modelo e Museu de Arte Moderna, a faixa de areia é frequentada por moradores pobres do centro, que temem o sumiço da praia para favorecer mais um empreendimento de luxo na Avenida Contorno.
O deputado Adolfo Viana (PSDB), vice-presidente da comissão, sugeriu que fosse organizada uma audiência pública com a presença das comunidades e de representantes da Bahia Marina para que eles possam chegar a um acordo.
Acatando a sugestão do deputado, Maria del Carmen agendou uma audiência para o debate no dia 18 do mês corrente. Segundo a parlamentar, a expectativa é que as partes entrem num consenso para que os danos sejam os menores possíveis para os dois lados.
A presidente também destacou que as comunidades que quiserem podem comparecer à reunião da comissão na próxima terça-feira (11) para apresentar mais detalhes da situação da Praia da Preguiça. "Como nós ainda temos poucos detalhes sobre as queixas da população, estamos abrindo um espaço para que elas venham a essa comissão conversar com a gente com mais calma pois no dia do debate teremos que ouvir os dois lados e por isso não poderemos ouvir toda a comunidade", explicou.
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