O deputado Heraldo Rocha (PFL) apresentou uma moção de congratulações à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte que, anualmente, na primeira quinzena de agosto, promove uma tradicional festa religiosa na cidade de Cachoeira, localizada no Recôncavo Baiano, situada a 109 km de Salvador.
No documento, já protocolado na Secretaria Geral da Mesa, o pefelista afirma que a festa "é uma das mais expressivas e fascinantes manifestações religiosas e culturais brasileiras, que atrai um grande número de visitantes entre estudiosos e turistas de diversas partes do mundo". O parlamentar informa que a festa é mantida por uma "confraria singular", formada exclusivamente por mulheres negras, com idade geralmente acima dos 50 anos.
O autor da moção destaca que é uma tradição cuja importância é ressaltada, entre outras coisas, pelo sincretismo que une elementos da religião afro-brasileira, especialmente do Candomblé, com os de uma antiga festividade cristã ? a Assunção de Nossa Senhora ? cujas origens remontam ao Oriente, passando por Roma no século VII, de onde se disseminou para todo o Ocidente.
Ainda quanto à origem da Irmandade, prossegue o deputado, "existem apenas algumas especulações, como a do historiador Odorico Tavares, ao sugerir que a devoção teria começado no início do século XIX, na Igreja da Barroquinha. Segundo ele, teriam sido os jêjes responsáveis pela sua organização e que tinham como objetivo, além da devoção a Nossa Senhora da Boa Morte e da Glória, levantar fundos para a compra de cartas de alforria e dar proteção e encaminhamentos aos negros fugidos", relata, acrescentando que, dessa forma, acredita-se que de um grupo original, mais amplo e organizado, teriam saído algumas irmãs, que se deslocaram para Cachoeira por volta do início do século passado, recriando naquela cidade a Irmandade da Boa Morte. "Como todas as confrarias religiosas baianas, esta também possui uma estrutura hierárquica interna para gerir a devoção diária e doméstica de seus membros".
No final do documento, Heraldo solicita que seja dado conhecimento à juíza perpétua da Irmandade, Estelita Santos, à direção da confraria, ao prefeito de Cachoeira, Fernando Antônio da Silva Pereira, e à Câmara de Vereadores.
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