A Assembleia Legislativa instala na próxima semana a CPI do Tráfico de Pessoas, que vai investigar, durante um período inicial de 120 dias, este crime que coloca a Bahia no incômodo terceiro lugar entre os estados brasileiros que mais fornecem material humano para os traficantes. A deputada Luiza Maia (PT), autora da proposta, deverá presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito, que será composta, pela prática da proporcionalidade, por seis integrantes da base governista e dois da oposição.
Além de Maia, já estão indicados para integrar a CPI Neusa Cadore, J. Carlos e Bira Corôa, todos do PT. A oposição formalizará seus nomes na próxima semana. Segundo Luiza Maia, o roteiro de funcionamento da Comissão já está pronto e o prazo inicial de 120 dias pode ser prorrogado a depender das investigações, que irão abranger toda a Bahia. A deputada já tem conhecimento de crimes cometidos em Camaçari e Vila de Abrantes, além do caso de Monte Santo, onde, em junho de 2011, cinco crianças foram retiradas da família para uma adoção irregular.
Na opinião das deputadas presentes ontem à reunião da Comissão de Direitos da Mulher, este é mesmo um assunto que deve ser enfrentado e, sobretudo, divulgado, de forma a despertar a opinião pública para estas ações criminosas. “O objetivo também é jogar os holofotes sobre este problema para que a sociedade tome conhecimento do que realmente acontece”, opinou Maria del Carmen (PT). Pensamento semelhante tem Luiza Maia, para quem este tipo de crime é “silencioso”, mas não inexistente e precisa ser recolocado para a sociedade, sobretudo com o fim de novela televisiva que aborda o assunto, para que não caia no esquecimento.” Quando se divulga e se enfrenta o problema, o traficante se recolhe”, acredita Maia.
Dar visibilidade a este problema é o que também defende a presidente da Comissão da Mulher, Neusa Cadore, que sugere a convocação “da rede de atenção à mulher em situação de violência” para “dividir com ela esta conquista”. Ela defende, ainda, o “envolvimento de outros segmentos sociais no debate deste problema, de forma “a dar musculatura à CPI”.
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