O que fazer para reduzir o número de mortes violentas de jovens negros no Brasil? Esta questão norteou os debates do seminário “Políticas Públicas e a Prevenção à Violência Contra Jovens”, realizado na manhã de ontem, no auditório do edifício Jutahy Magalhães, na Assembleia Legislativa da Bahia.
Promovido em parceria pela deputada Maria del Carmem (PT) e o Centro de Promoção da Vida Padre Ezequiel Ramin, o evento teve a participação de religiosos, representantes das três esferas de governo (federal, estadual e municipal), de entidades, escolas e crianças e adolescentes de um grande número de bairros de Salvador. E teve como inspiração a Jornada Mundial da Juventude, que começou ontem no Rio de Janeiro e tem a presença do Papa Francisco.
ALERTA
Já na apresentação do seminário, Maria del Carmem alertou para o aumento dos índices de violência, em especial entres os jovens negros das periferias dos grandes centros urbanos. “Tempos atrás acreditávamos que a diminuição da desigualdade traria automaticamente a diminuição da violência. Hoje, constatamos que precisamos de muito mais”, afirmou ela, para logo depois constatar: “Precisamos de uma política de segurança pública, onde os agentes da repressão não apontem como alvo os jovens negros da periferia”.
MAPA
A julgar pelos dados do Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil, a sociedade brasileira tem muito trabalho pela frente. De acordo com o mapa, nos últimos 30 anos, as mortes não naturais e violentas cresceram 207,9%. Considerando apenas os homicídios o aumento chega a 326,1%.
Neste cenário, o desafio da Bahia parece ser ainda maior: dos 30 municípios com as maiores taxas de homicídios do Brasil, 11 estão na Bahia. Simões Filho, cidade da Região Metropolitana de Salvador, lidera este ranking.
URGÊNCIA
Por isso, o articulador nacional do Plano Juventude Viva na Bahia, Geovan Adorno Braz, considera urgente o enfrentamento da violência. “O racismo é preponderante no extermínio da juventude negra no Brasil”, afirmou durante o seminário.
Ele lembrou que apesar dos negros comporem quase metade da população brasileira, a representatividade política ainda é muito baixa. “Os negros quase não têm representantes no Legislativo”.
INFÂNCIA
Também presente no seminário, o deputado federal Nelson Pelegrino disse está cada vez mais convencido da necessidade de investimentos na primeira infância, que vai do zero aos 6 anos de idade, para melhorar o nível educacional das crianças e jovens.
“Já está comprovado que é nessa fase da vida que são ativadas as conexões neurais que serão os alicerces para o aprendizado no futuro”, observou Pelegrino que faz parte da Frente Parlamentar da Primeira Infância. Nesse ponto, Pelegrino destacou a importância de se ter uma família estruturada.
O seminário “Políticas Públicas e a Prevenção à Violência Contra Jovens” contou ainda com as presenças cda coordenadora do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça da Criança e Adolescente do Ministério Público da Bahia, Eliana Elena Portela Bloizi; do presidente do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca), Waldemar Oliveira; do presidente da Associação Italiana Lorenzo Guanieri (Itália), Stéfano Guarnieri; e do presidente do Projeto Ágata Esmeralda, Mauro Barsi.
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