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Diversidade de temas foi a marca da 8ª edição do evento

Publicado em: 26/08/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Apesar das divergências, os trabalhos foram marcados pelo respeito mútuo entre os deputados das mais variadas correntes ideológicas
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Emancipação de Trancoso, segurança pública, transportes, situação econômica do estado, movimentos sociais e casamento gay foram temas que dominaram os pronunciamentos da oitava Assembleia Itinerante. A administração da prefeita e ex-deputada Cláudia Oliveira foi elogiada por todos. Isso tudo permeado por críticas duras da oposição direcionadas ao governo, rebatidas com entusiasmo pelos parlamentares da base de sustentação governamental.
O primeiro a se pronunciar foi Gaban (DEM), que se referiu a uma crise de segurança na Bahia, ressaltando que Porto Seguro ocupa a sexta colocação nacional em homicídio de jovens. O parlamentar concentrou sua verve ainda na crítica ao desempenho da economia, segundo o qual os gastos excessivos no custeio faliram o Estado.
Carlos Ubaldino (PSD) foi o orador seguinte. Ele defendeu o governador Jaques Wagner, "o verdadeiro nome da democracia na Bahia", e citou realizações como a construção e recuperação de estradas. Em verdadeira profissão de fé, enfrentou vaias de estudantes ilheenses, ao ser categórico contra o casamento gay. "Respeito o cidadão, mas não a prática do pecado." O Sargento Isidório (PSB) seguiu a mesma linha, mas conseguiu arrancar até aplausos de alguns representantes do acampamento do MST localizado perto de Mundo Novo.
Ronaldo Carletto (PP), além de deputado, empresário dos transportes, chegou a debater com os estudantes de Ilhéus, que pediam redução de tarifas e se manifestaram todo o tempo. "Por favor, não reprima, presidente", pediu, defendendo a "discussão democrática". Para ele, a reivindicação dos estudantes é legítima: "Estou do lado de vocês, vamos lutar para reduzir os impostos que incidem sobre as passagens."

LÍDERES

Antes de enfileirar críticas ao governo, o líder da oposição, Elmar Nascimento (PR), fez questão de defender, por si e pela bancada, o direito à diversidade sexual. Ao mudar de tema, disse ser "muito difícil combater a formidável máquina de propaganda do governo, que gasta R$ 180 milhões, cerca de três vezes o que é gasto em segurança". Ele acusou o governo de "perdulário" e afirmou que a Arena Fonte Nova foi dada para a OAS/Odebrecht como pagamento do financiamento de campanha, o mesmo ocorrendo com a segunda etapa do metrô, vencida pela Camargo Corrêa.
O líder do governo, Zé Neto (PT), não deixou barato, no discurso seguinte: "Tem coragem de falar da Fonte Nova, depois de ter sido deteriorada a ponto de provocar oito mortes", disse, lembrando que o prefeito de Salvador, ACM Neto, admitiu o acerto do governo em reconstruir o estádio por meio de PPP para não imobilizar recursos do estado. Seu pronunciamento foi um rol de realizações da administração atual nas mais diversas áreas. "Nos 25 anos de governos anteriores, não asfaltaram nem metade dos sete mil quilômetros feitos por Wagner", disse, citando ainda o reequipamento da polícia e investimentos na saúde.
Paulo Azi (DEM) disse que "o movimento das ruas deu um recado muito claro: estão de saco cheio da política e dos políticos". Segundo ele, a população não aguenta mais notícias de corrupção e mordomias. A falta de segurança em Porto Seguro voltou a ser tema nos pronunciamentos de Delegado Deraldo (PSL) e do Coronel Gilberto (PTN), ambos especialistas da área, mas o primeiro, da base governista e o segundo, da oposição.
O deputado Mário Negromonte Júnior (PP) preferiu criticar a situação dos cartórios e pediu pressão popular para realização de concurso público para preencher 1.380 vagas. Bruno Reis (PRP) disse que o povo está cansado de enrolação e que a hora é de fazer acontecer, pois falta gestão ao governo. Kelly Magalhães (PC do B) e Bira Corôa (PT) se alternaram com argumentos em defesa de que as medidas governamentais, tanto ao nível nacional, como no estadual, estão corretas.
Para Leur Lomanto Júnior (PMDB), o aumento de violência na Bahia se deve à falta de prioridade da administração estadual. Timóteo Brito (PSD) não concordou com o colega de Parlamento e assinalou as medidas tomadas em setores cruciais como saúde e educação. Capitão Tadeu (PSB) disse que mudanças só vão ocorrer por pressão popular e atacou o desvio de diversos policiais militares de suas atividades de segurança "para ser transformados em empregados domésticos de autoridades civis". Para Augusto Castro (PSDB), o governo tem que devolver em serviços o que arrecada em impostos na região.
Euclides Fernandes (PDT), Ivana Bastos (PSD) e Marquinhos Viana (PV) se dedicaram a enaltecer os sete meses da administração de Cláudia Oliveira em Porto Seguro. Ângela Sousa (PSD) também elogiou a prefeita, mas fez duras críticas ao prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro. Rosemberg Pinto (PT) disse que não há outro meio de resolver os problemas da sociedade que não seja pela política. "Se os políticos são ruins, tira e bota outros", defendeu. Ácido, afirmou que "o DEM ‘salvador’ não resolveu os problemas do transporte no tempo em que esteve no poder, enquanto o nosso governo mudou consideravelmente a conjuntura do país". Na ocasião, anunciou sua indicação para melhorar o aeroporto local.

TRANCOSO

Aderbal Caldas foi o primeiro a pedir a emancipação política de Trancoso. Álvaro Gomes (PC do B) também levantou a bandeira. Ele disse que os movimentos sociais são o único meio para as mudanças radicais de que o Brasil precisa. José de Arimateia (PRB), por sua vez, falou da entrega no Congresso Nacional do projeto popular Sim Saúde, com o qual se pretende alocar mais recursos para a saúde.
Já no finalzinho da sessão, Roberto Carlos (PDT) aproveitou para lançar o nome de Marcelo Nilo para postos mais altos: "Vai ser governador porque está escrito nas estrelas e Deus quer." Maria Luiza Laudano (PSD) e Maria del Carmen (PT) encerraram falando da administração municipal e oferendo préstimos para ajudar a cidade.



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