Foi emocionante a solenidade de entrega do título de Cidadão Baiano ao bispo de Itabuna, dom Ceslau Stanula, um polonês residente há 41 anos no Brasil e naturalizado brasileiro em 1988, tal o apego que sente por nossa terra e nossa gente. Cerca de 600 pessoas foram à Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), inclusive as mais altas autoridades municipais, para assistir à sessão solene da Assembleia Legislativa, que contou com as presenças do presidente Marcelo Nilo e do 2º vice-presidente Sandro Régis, além do proponente da homenagem, o deputado Augusto Castro.
Os trabalhos começaram às 20h com a execução do Hino Nacional e a leitura da vasta folha de serviços prestados pelo prelado católico em quase 50 anos de sacerdócio na sua Polônia natal, na Argentina e no Brasil – onde chegou em 12 de abril de 1972, inicialmente para a Diocese de Bom Jesus da Lapa, passando também pela paróquia de Ondina e São Lázaro, em Salvador, pelo município pernambucano de Floresta, até chegar a Itabuna, em 20 de outubro de 1997. O presidente Marcelo Nilo explicou como tramita uma proposta para concessão da nossa cidadania, e o rigor do Legislativo na apreciação dessas proposições: "Afinal, se trata da maior honraria possível para a Assembleia Legislativa e seus integrantes".
Ele explicou os critérios e a surpreendente "dispensa da formalidade de exame do currículo", ocorrida nessa proposta, "tantos e tão impressionantes são os títulos e o serviço pastoral e social do agraciado". O presidente do Legislativo da Bahia informou ainda que optou por fazer a entrega em Itabuna, atendendo a solicitação do deputado Augusto Castro e para demonstrar o seu apreço pelo município e região, mas especialmente para permitir ao bispo que compartilhasse aquele momento de alegria junto com amigos, colaboradores, fiéis e com toda a comunidade itabunense " pois, mais importante que receber uma honraria é merecê-la, e dom Ceslau Stanula a merece, sendo uma honra para a Bahia e os baianos, através de seus representantes legítimos, recebê-lo como um conterrâneo", disse.
UNANIMIDADE
O discurso de saudação ao prelado católico foi do autor do projeto de resolução, o tucano Augusto Castro, que lembrou o fato da aprovação dessa honraria ocorrer através de "rara" unanimidade. Informou que dom Ceslau é filho de agricultores, nascido em Szerzyny, numa família de oito filhos, com estreita ligação com o papa João Paulo II. Dois de seus irmãos também optaram pela vida religiosa.
O deputado do PSDB historiou a vasta formação cultural e humanística do homenageado, bem como a sua integração total com o Brasil e com Itabuna. Dom Ceslau ensinou português, italiano, espanhol e latim. Já escreveu três livros e integra a Academia Grapiúna de Letras. Lembrou o trabalho social que desenvolve na Diocese (reúne outros 17 municípios) e a sua ação para formar novos padres e a Pastoral Familiar, que já reuniu em marcha 30 mil pessoas na avenida do Cinquentenário. Encerrou com a voz embargada parabenizando o "novo conterrâneo".
AGRADECIMENTO
O bispo iniciou o agradecimento num português perfeito e quase sem sotaque, pedindo licença para quebrar o protocolo – como fez o papa Francisco – e agradeceu penhoradamente a honraria aos "dignos deputados estaduais que confiaram em mim", ao passo em que revelou que nunca se imaginou recebendo essa homenagem compartilhando a emoção com os amigos presentes e com todos os itabunenses.
Dom Ceslau ficou impressionado com a "percepção do deputado Augusto Castro e de seus pares para o simples trabalho de pastor, que dedica muito amor aos baianos". Falou do trabalho que executou em Bom Jesus da Lapa, "onde aprendeu o português" e de sua passagem por Floresta, "erra do notável deputado federal pela Bahia, Manoel Novaes".
Agora na "companhia" de Viera, Rui Barbosa, Anísio Teixeira e Jorge Amado, seu patrono na Academia Grapiúna de Letras – construtores da Bahia – ele manifestou quatro preocupações que gostaria que os deputados estaduais levassem em consideração, além daquelas básicas relacionadas com saúde e educação: a melhoria e ampliação do Hospital de Base de Itabuna, que está em situação inimaginável; a reforma e reabertura do aeroporto da cidade; duplicação da rodovia Jorge Amado (Ilhéus-Itabuna), que ceifa vidas quase diariamente.
E a busca de entendimentos entre índios Tupinambás e agricultores, muitos com mais de 200 anos de terras tituladas, que não podem ser enxotados e tratados como marginais. Encerrou sob aplausos, de pé, se declarando brasileiro, sertanejo, barranqueiro e baiano.
A Mesa de Honra dos trabalhos foi integrada pelos deputados Marcelo Nilo, Sandro Régis e Augusto Castro, pelo prefeito Vani do Renascer em Cristo, por Davidson Magalhães, presidente da BahiaGás, pelo prefeito de Buerarema, Guima Barreto, pelo diretor da Justiça Federal na cidade, Avil Novais e pela professora universitária Cássia Pinto. Na plateia, freiras, padres, representantes de organizações de classe, diretores de escolas e universidades, admiradores e amigos do prelado. Os trabalhos foram encerrados com a execução do Hino da Bahia.
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