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Serviço de Atendimento Móvel de Urgência é tema de audiência

Publicado em: 05/09/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Os trabalhos foram comandados por José de Arimatéia, presidente da Comissão de Saúde
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A Bahia possui hoje 360 ambulâncias de suporte básico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e cerca de 40 unidades de suporte avançado. A diferença entre elas está no custo mensal que e na equipe de atendimento. As ambulâncias de suporte básico custam menos (R$ 26.250,00/mês) e têm equipe composta apenas de motorista e técnico de enfermagem. Mas atendem a cerca de 80% das chamadas. Já as de suporte avançado precisam de R$ 77 mil a cada mês para custear suas despesas e são compostas por motorista, médico e enfermeiro.
O dinheiro gasto com o Samu é dos governos federal, que arca com metade das despesas, estadual, que contribui com 30%, e municipal, que entra com 20% do dinheiro. O serviço, entretanto, está sucateado e os médicos trabalham em situação precária. Além disso, o número de profissionais médicos é insuficiente para atender à demanda que, somente na Região Metropolitana de Salvador, abrange 3 milhões de pessoas.
Todas estas informações foram prestadas ontem por Maria Alcina, diretora de Atenção Especializada da secretaria estadual de Saúde e pelos representantes do Samu em Salvador, Itabuna, Porto Seguro e Eunápolis, durante audiência pública da Comissão de Saúde, presidida por José de Arimatéia (PRB).
 
                                                  PROBLEMAS

Com o quadro médico aquém das necessidades, o Samu de Salvador, que conta com 15 bases distribuídas na cidade, precisaria contratar pelo menos mais 40 médicos, adiantou Tauá Bahia, representante da coordenação municipal do serviço. Além deste problema, as maiores dificuldades se encontram nos internamentos. As equipes do Samu não são bem acolhidas pelos hospitais e quase sempre faltam vagas para os pacientes transportados pelas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, completou Bahia.
E estas ambulâncias "não são transporte sanitário, elas são ponto de atenção", adverte Maria Alcina, informando que o Samu depende da central de regulação que, depois de avaliar a situação do paciente, decidirá para que unidade hospitalar ele será levado. E neste atendimento o tempo é fundamental. "Quanto mais rápido o atendimento, mais chances para o paciente", diz.
A Bahia tem hoje 256 municípios sob a cobertura do Samu e no interior a situação também é difícil. A resolução do problema, entretanto, pode estar na simples fiscalização dos serviços, da aplicação das verbas, das condições de funcionamento das suas viaturas, aponta Sérgio Sarkis, coordenador do Serviço em Porto Seguro e Eunápolis. O Samu dá prejuízo, está sucateado, as viaturas estão em situação precária, "mas ninguém tem coragem de desativá-lo", garante, lembrando que hoje este serviço é essencial.
 

FISCALIZAÇÃO

Opinião semelhante tem Sérgio Farias, coordenador em Itabuna, que defende outra solução para os problemas vividos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência: dinheiro. Para ele, a questão é financeira e é preciso rever "com urgência" os valores repassados para o Samu. A unidade de Itabuna atende a 23 municípios da região. Além dos problemas de estrutura, há a insatisfação das suas equipes.
No primeiro semestre deste ano, médicos reguladores e intervencionistas do Samu denunciaram as condições precárias de trabalho, instalações e remuneração. Os profissionais reivindicavam a implantação da isonomia salarial entre todos os vínculos médicos – estatutários, celetistas ou de contratação temporária. A categoria exigia, também, aumento no número de profissionais no atendimento à população.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu – 192) presta socorro imediato à população em casos de emergência e urgência em qualquer lugar: residências, locais de trabalho e vias públicas. A chamada também é gratuita e o serviço deve ser acionado na ocorrência de problemas cardior-respiratórios; de queimaduras graves; maus-tratos; trabalho de parto em que a mãe ou o feto estejam em risco de morte; situações de surto psiquiátrico ou de pessoas com sofrimento ou transtorno mental; em crises hipertensivas e quando houver acidentes e/ou trauma com vítimas. O Samu deve ser chamado também em casos de afogamentos, de choque elétrico, em acidentes com produtos perigosos e na transferência inter-hospitalar de doentes com risco de morte.



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