MÍDIA CENTER

Atuação de médicos cubanos no Brasil é defendida na AL

Publicado em: 06/09/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

O comunista Álvaro Gomes disse que tem a "certeza de que os cubanos vão continuar resistindo"
Foto:

Na sessão especial realizada na manhã de ontem, na Assembleia Legislativa, as críticas históricas contra o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba se misturaram a uma bandeira muito mais atual: a defesa dos médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil. Proposta pelos deputados Álvaro Gomes (PC do B) e Luiza Maia (PT), a sessão teve a presença de cinco profissionais de saúde de Cuba, que irão atuar no Brasil através do programa do governo federal Mais Médicos. Ao serem anunciados por Álvaro Gomes, eles foram aplaudidos de pé pela plateia, que lotou o plenário e as galerias da AL.
Logo no início, Luiza Maia deu o tom que perdurou por toda a sessão especial e se emocionou ao pedir desculpas pelos ataques sofridos pelos médicos cubanos no Brasil. "Aquele comportamento não representa o pensamento do povo brasileiro", afirmou a deputada, se referindo aos protestos dos médicos brasileiros na chegada dos colegas cubanos nos aeroportos, quando foram chamados de "escravos". Para ela, Cuba é o "país mais solidário que existe".
As palavras de Luiza foram reforçadas pelo médico cubano Luiz Wong, que, ao falar em nome dos colegas, assegurou: "Não somos políticos. Somos médicos e viemos para tratar o corpo e a alma do povo brasileiro." Brincou ao dizer que o mais importante para eles e para os colegas é um curso para melhorar o português e voltou a ser aplaudido de pé ao concluir o seu discurso afirmando que ninguém "pode bloquear o amor do povo cubano ao povo brasileiro".
Presente na sessão, o ex-prefeito de Camaçari Luiz Caetano (PT) foi outro a defender o programa Mais Médicos, assim como o deputado Aderbal Caldas (PP), que fez referências à situação do sertão. "É melhor ter pessoas desassistidas em regiões pobres como o semiárido da Bahia?", questionou Aderbal. Já Luiz Caetano culpou parte da mídia pelas informações que resultaram nos protestos contra a vinda dos médicos cubanos.
 

GUERRA


Outro tema atual muito citado no encontro é o possível ataque dos Estados Unidos à Síria, após o suposto atentado de armas químicas que matou mais de mil civis. Ao abrir a sessão, Álvaro Gomes pediu que ela também fosse de solidariedade à Síria e "contra a invasão dos Estados Unidos". Faixas de solidariedade ao país, que está envolto numa sangrenta guerra civil que já deixou milhares de mortos, foram expostas no plenário da Assembleia.
Álvaro falou também sobre o embargo econômico contra Cuba. Ele contou que na época em que pela primeira vez visitou o país dos irmãos Fidel e Raul Castro, em 1990, o bloqueio econômico provocara uma queda de 40% do Produto Interno Bruto de Cuba (PIB), mas ainda assim a população resistiu. "Isso me dá a certeza de que os cubanos vão continuar resistindo", afirmou o deputado, que esteve lá em mais quatro ocasiões. Para Álvaro, enquanto "Cuba exporta solidariedade, os Estados Unidos exportam violência".
A condenação e prisão de cinco cubanos nos Estados Unidos e o fechamento da prisão de Guantánamo foram outros assuntos discutidos. Em 1998, o FBI prendeu cinco cubanos radicados nos Estados Unidos sob a acusação de espionagem. Eles foram mantidos em celas solitárias e julgados somente em 2001, quando o Tribunal de Miami condenou Gerardo Hernández a duas prisões perpétuas mais 15 anos; Antonio Guerrero à prisão perpétua mais 10 anos; Ramón Labañino à prisão perpétua mais 18 anos; Fernando González a 19 anos e René González a 15 anos. Desde então, os advogados de defesa tentam um novo julgamento fora de Miami. Em todo o mundo, há comitês de luta pela libertação dos cinco cubanos presos.



Compartilhar: