O conflito entre índios tupinambás e produtores no sul da Bahia, principalmente na região conhecida como Serra do Padeiro, foi o assunto dominante na sessão da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública dessa quarta-feira. O deputado Temóteo Brito (PSD), presidente do colegiado, informou que as audiências públicas realizadas em Itabuna e Buerarema contaram com um número expressivo de participantes, mas não gerou o efeito esperado pela comissão. "Infelizmente, os índios não apareceram e não podemos ouvir uma das partes do conflito", afirmou Temóteo Brito.
O deputado contou que existiam, em Buerarema, mais de 200 policiais e o clima na praça e no plenário onde foi realizada a reunião era de guerra. "Ouvimos produtores com pequenas propriedades de 10, 20 hectares, que estão passando por uma situação muito difícil. A Comissão de Direitos Humanos não tem um lado, está do lado da verdade. O nosso objetivo, nesse caso, é evitar o derramamento de sangue", explicou Brito.
Com o objetivo de continuar interferindo no problema com a intenção de solucioná-lo, a comissão aprovou para o próximo dia 23 uma nova audiência pública, agora no plenário da Assembleia Legislativa, convidando as lideranças indígenas, o presidente da Funai, da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag) e outros envolvidos para que se possa ouvir as alegações dos índios e encontrar uma solução mediada para o conflito.
O deputado Yulo Oiticica (PT) chegou a sugerir que uma pequena comissão de deputados se dirigisse à área de conflito na Serra do Padeiro, acompanhada pela força policial, para poder ouvir os índios, pedido que foi rejeitado. "Em Buararema, o clima estava muito tenso. Pode ser que tenha sido bom os índios não comparecerem naquele momento, evitando um possível confronto", revelou o deputado petista, acrescentando que os parlamentares até agora não tiveram acesso ao processo judicial. "É fundamental que possamos saber como está a negociação, se existe a possibilidade de se suspender a demarcação, por exemplo", completou o deputado.
Os índios tupinambás ocupam várias propriedades rurais como forma de pressionar o governo federal a concluir o processo de criação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença. A área que os tupinambás alegam ter pertencido ao seu povo mede 47.376 hectares (um hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial) e abrange parte do território das cidades de Buerarema, Ilhéus e Una.
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