A demora na demarcação da terra indígena tupinambá acirra, há dois meses, o conflito no sul da Bahia. A intensa luta dos indígenas para garantir efetivamente seus direitos territoriais trouxe a Comissão Executiva do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia, o Mupoiba, nesta quinta-feira, para um debate com o vice-presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Yulo Oiticica (PT).
Durante o encontro, a executiva apresentou ao parlamentar os pontos que travam a realização do processo demarcatório e tornaram a solicitar a presença de Yulo como mediador do impasse.
O vice-presidente, que também compõe a Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Casa Legislativa, chamou atenção para o alto índice de violência enfrentada pelos tupinambás e a necessidade de resolver o conflito o quanto antes.
"Não podemos aceitar que os índios sejam ameaçados o tempo inteiro. É preciso que o governo federal e o governo estadual tenham uma ação imediata, não só para repactuar a perspectiva de construir a paz, mas para fazer justiça. É preciso demarcação imediata, para que os índios tenham o que é de direito", reiterou Oiticica.
Ao total, são 54 mil índios no estado da Bahia, de 21 etnias, que habitam 31 municípios e lutam para impedir as tentativas de retrocesso que ameaçam seus direitos. Integrante do Mupoiba, o cacique Gildo Tupinambá é a favor de frear os conflitos, mas caso seja necessário, as ações de retomadas territoriais podem ser intensificadas até garantirem seus objetivos.
"A gente quer amenizar o problema, mas não basta só o governo demarcar, é preciso pagar indenização para que o conflito chegue ao fim de vez", pontuou Gildo Tupinambá.
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