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Doação de órgãos na Bahia é tema de audiência pública na AL

Publicado em: 25/09/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comissão de Saúde e Saneamento, presidida por José de Arimatéia, debateu o assunto ontem
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A Semana Nacional de Doação de Órgãos, que começou segunda-feira e vai até domingo, quando se realizam em todo o país eventos de mobilização, está movimentando a Assembleia Legislativa. A importância da conscientização torna-se ainda maior quando se analisa que, atualmente, cerca de 30 mil pessoas aguardam na fila de espera em todo o Brasil e, de cada 10 pessoas abordadas, quatro se negam a doar os órgãos de seus familiares. Na Bahia, o Governo do Estado também lançou neste mês a Campanha Estadual de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes. O assunto foi debatido ontem em audiência pública da Comissão de Saúde e Saneamento da Casa, presidida por José de Arimatéia.
Na Bahia, existem seis mil transplantados e igual número está em tratamento de hemodiálise, isso somente no que tange à necessidade de transplante de rins. A situação é caótica, diz Márcia Chaves, da Associação dos Transplantados da Bahia, adiantando que faltam vagas para os tratamentos dos doentes renais e que, há dois anos, "faltou remédios em todas as Dires". "Os pacientes estão morrendo", adverte. Há casos em que os doentes esperam por mais de uma década. É o caso de Daniel Reis, que há 13 anos aguarda o transplante de rim e agora, com apoio da ATX, está indo para Joinville, em Santa Catarina, "onde o transplante acontece em dois meses".
 
                                          PRÊMIO

Porém, o coordenador estadual de Transplante da Secretaria da Saúde, Eraldo Moura, diz que a Bahia vem avançando. "Somos o estado que mais cresceu neste tipo de procedimento", garante, adiantando que a Bahia até recebeu prêmio do Ministério da Saúde pelo trabalho que vem realizando. Ainda assim, somente 35% dos que necessitam de transplante de rim são atendidos, 25% no caso dos necessitados de fígado, 11% dos que precisam de um coração e apenas 4% dos carentes de pulmão conseguem o transplante.
Esta situação se deve, em grande parte, à negação das famílias em doarem os órgãos dos seus entes com morte encefálica. "Cerca de 70% das famílias se recusam a fazer a doação", revela Eraldo Moura. Então, é necessário "educação, educação e informação", completa Márcia Chaves, para quem os problemas enfrentados pela Bahia neste campo "são os mesmos há 15 anos". Ela se queixa da falta de campanhas institucionais permanentes que informem e conscientizem a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.
Este trabalho de conscientização, que em nível nacional envolve a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Ministério da Saúde, governos estaduais e entidades médicas, surte feito. Até junho de 2013, o país teve 1.273 doadores de órgãos. Com esta marca, o Brasil ocupa o segundo lugar do mundo em número de transplantes. No entanto, a quantidade de doadores efetivos ainda é baixa em relação a outros países. Aqui, em 2011, o número chegou a 10,7, enquanto a Espanha, o melhor país em doação de órgãos, atingiu 35,3, seguida por Croácia (35,0); Bélgica (29,3); Portugal (28,5); e EUA (26,0). Na Bahia, no ano passado, houve apenas 77 doadores efetivos.
O número de doentes que aguarda por um transplante é grande. Segundo informações da ABTO, "a maior lista de espera é por um rim – 20 mil pessoas. Em segundo lugar estão os que precisam de transplante de córnea (6 mil). Em seguida, vem fígado, com 1.300 pessoas na lista de espera, e, por último, coração e pulmão, com 200 e 170, respectivamente. A ABTO projetou uma meta para atingir em 2017: o objetivo é contar com pelo menos 20 doadores efetivos por milhão de população". Aqui, na Bahia, apenas 7,4 pessoas por milhão de habitantes são doadores, informa Márcia Chaves.
Porém, o número dos atendimentos vem aumentando. "Estamos distante do ideal, mas avançando, especialmente com relação à quantidade de transplantes realizados. Em 2012, o crescimento foi de 59% neste tipo de operação e o estado foi o que mais avançou no Brasil. Assim como vem ampliando a rede de atendimento e interiorizando os serviços de nefrologia", afirmou Eraldo Moura, coordenador estadual de transplantes da Secretaria da Saúde. Em Salvador, transplantes podem ser realizados nos hospitais Ana Nery (que vai passar a realizar também transplantes cardíaco e pulmonar adulto e infantil), São Rafael, Hospital Espanhol e Hospital das Clínicas. Todas estas unidades são obrigadas a atender pacientes do SUS, que, por sinal, realiza 95% dos transplantes realizados.
 
                                  DOAÇÃO
 
Para doar é preciso apenas que o doador informe à família sobre esta decisão porque somente com a autorização da família é possível concretizar a doação. Aqui na Bahia, segundo informações do site oficial, "a Central Estadual de Transplantes de Órgãos é o setor da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) responsável por notificar, captar e distribuir os órgãos para os receptores e garantir transparência no processo de doação. É também a Central que efetiva a inscrição dos pacientes na lista de espera de cada órgão". Para entrar em contato com a Central, utilize o disque-transplantes: 0800 284 0444.
A Central Estadual de Transplante de Órgãos da Bahia fica no Complexo César de Araújo, Rua Marquês de Maricá s/n – Pau Miúdo – Salvador (próximo ao Hospital Ernesto Simões Filho ). Tel/fax: 71- 3356-6776 / 0800 284 0444. Email:
sesab.transplante@saude.ba.gov.br.

 



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