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Obesidade é tema de audiência pública na Comissão de Saúde

Publicado em: 23/10/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Sessão foi comandada pelo deputado José de Arimatéia (PRB), presidente do colegiado
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Quatrocentos mil obesos em Salvador. Noventa mil mortes por ano no Brasil. Quinhentas mil cirurgias anuais nos Estados Unidos. Esta é a estatística produzida pela obesidade, doença que mata e já é considerada um problema de saúde pública mundial. No Brasil, os números assustam e crescem. Já somos o quinto país em população de obesos e o segundo em quantidade de cirurgias bariátricas. O mal atinge 15% dos adultos e 20% das crianças, alvo prioritário inclusive das políticas públicas. O assunto, que vem mobilizando profissionais, entidades e governos, foi debatido ontem na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado José de Arimatéia, em audiência pública onde os médicos foram uníssonos em afirmar que obesidade é o que se come.
Comer mal e falta de exercícios físicos é uma perversa combinação que resulta na doença que vem atingindo cada vez mais pessoas em todo o mundo e já é responsável por meio milhão de cirurgias somente nos Estados Unidos. "Metade da população come errado e é sedentária", alertou Tereza Arruti, diretora do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia, adiantando que, além de tudo, a obesidade consome, sozinha, 6% de todo o dinheiro destinado à Saúde no Estado. A doença "é crônica e degenerativa" e prevenção é, mais uma vez, a palavra de ordem preferida pelos especialistas.
 

SAÚDE

 
Por isso os governos já vêm se debruçando sobre crianças e adolescentes, de forma a conscientizar, sobretudo a família, sobre hábitos saudáveis de alimentação. Mas o problema é grave e ultrapassa os limites familiares, para ganhar toda a sociedade. Um dos segmentos que precisam ser atingidos, por exemplo, são as escolas, para que ofereçam aos alunos lanches menos danosos e merenda escolar mais saudável, no caso das unidades públicas.
Segundo o médico Erivaldo Lopes, que já realizou 6,6 mil cirurgias bariátricas em Salvador, "há boas propostas de intervenção do Ministério da Saúde, mas o problema é saber como executá-las e para onde vai a verba destinada ao combate da obesidade". Também considerando o problema de alta complexidade, Lopes informa que opera 800 pacientes a cada ano, que as mulheres são a grande maioria e que metade delas não pode engravidar. A obesidade traz, ainda, consequências mais graves, como incidência de câncer de ovário, de mama e de próstata. As morbidades, associadas à quantidade excessiva de peso, abarcam também problemas no coração, de hipertensão e de diabetes.
E provoca uma série de problemas psicológicos e sociais. "Exclusão do mercado de trabalho, perda da libido e da sexualidade, bulling e preconceito", são algumas das dificuldades que os obesos enfrentam, revela Nélia Almeida, da Associação Nordestina de Obesos, entidade sem fins lucrativos "de caráter beneficente e assistencial", que apoia, orienta e representa judicialmente os obesos que precisem recorrer à justiça para terem suas cirurgias liberadas pelos planos de saúde.


RISCOS


Para ser possível ter-se indicação à cirurgia bariátrica (que hoje conta com diversas modalidades e técnicas) é necessário que o paciente apresente Índice de Massa Corporal – IMC (calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado) elevado e associado a pelo menos duas enfermidades. Quando o IMC está entre 35 e 39, é preciso ter-se duas comorbidades associadas (como diabetes, hipertensão, apneia do sono, alto colesterol, artropatias, infertilidade...). Com o IMC acima de 40, a indicação de cirurgia é certa, ainda que sem doenças associadas ao peso.
Há diferentes graus que classificam a gravidade da obesidade e eles vão do grau um à " super-super", passando pela mórbida e pela super obesidade. Ainda assim, Marcelo Zollinger, diretor do Núcleo de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital da Bahia adverte que cirurgia "é o fim da linha", ou seja, o último recurso a ser utilizado, chamando a atenção de que se trata de cirurgia complexa, que não pode nem deve ser realizada por um único profissional, e traz consequências. Ela "tira o peso, mas dá ao paciente a desnutrição programada", dispara a diretora do Cedeba, Tereza Arruti.
Além do alcoolismo. Esta é uma das graves consequências identificadas no período pós-cirúrgico pelos especialistas, que estão com o problema nas mãos e não sabem como resolvê-lo. Habitualmente, os que submetem-se à cirurgia bariátrica apresentam complicações pós-cirúrgicas, como tendência ao suicídio, desnutrição e compulsão: por comida (ele come muito e vomita em seguida); por sexo, por gastar dinheiro; por álcool. O alcoolismo foi verificado como a mais grave e comum consequência dos operados e nem médicos, nem autoridades sabem como evitar ou resolver o problema.
Por isso, todos os que se operam têm, necessariamente, que ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar, já que a doença é multifatorial, afirmam os médicos. Há alguns fatores que provocam o surgimento da doença, como o genético e alterações hormonais, mas a causa central é mesmo alimentação errada e sedentarismo. E 98% da população brasileira apresenta sobrepeso, diz Erivaldo Lopes, adiantando que há relação direta entre obesos e classificação socioeconômica. Quanto mais baixo o status econômico e educacional, maior incidência de obesos no Brasil.



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