Sala presidente Cláudio Veiga. Assim passou a se chamar o gabinete do presidente da Academia de Letras da Bahia, em tocante homenagem prestada à memória desse intelectual de escol que encarnou como ninguém aquela Casa de Cultura em mais de três décadas de imortalidade, presidindo-a durante 26 anos consecutivos. Compareceram ao ato solene de inauguração do quadro a óleo com a sua imagem acadêmicos, entre eles o ex-governador Roberto Santos, professores, amigos, admiradores, ex-alunos e colaboradores, além de todos os seis filhos, e demais familiares do professor Cláudio Veiga.
Da homenagem constou ainda o relançamento em regime de coedição entre a Academia de Letras da Bahia e Assembleia Legislativa do livro “Um Baiano Soldado de Napoleão”, ampla pesquisa sobre a vida aventurosa do médico Caetano Moura no período das guerras napoleônicas. O presidente da Academia, Aramis Ribeiro Costa, manifestou a sua gratificação em participar desse ato de “justeza” para com o acadêmico responsável pela formatação física e filosófica da entidade e acentuou a dedicação absoluta do presidente Cláudio Veiga à instituição que tão bem dirigiu – ao ponto de prejudicar seus interesses literários e pesquisas.
PERFIL
Coube ao acadêmico Aleilton Fonseca falar em nome da Academia de Letras da Bahia sobre os múltiplos interesses do homem de cultura que foi Cláudio Veiga, sua sólida formação intelectual e humanística, do interesse permanente pela cultura francesa, mas também do homem íntegro e pai de família exemplar que ele foi. Com emoção, discorreu sobre a formatura em letras (francês) na Sorbonne, na França, e (filologia romana) em Estrasburgo, na Bélgica, e no papel que ele desempenhou no meio educacional baiano, ensinando literatura francesa no Instituto Normal, e depois no Instituto de Letras da Ufba, que dirigiu, e do reconhecimento acadêmico representado pelo título de professor emérito que conquistou.
Aleilton Fonseca citou as condecorações, prêmios e demais homenagens recebidas pelo professor Cláudio Veiga, sua vasta obra: publicou livros, obras didáticas, como uma gramática francesa, ensaios, ficção histórica e destacou uma antologia de poesia francesa que ele organizou. Reportou-se ainda à sua disposição para a pesquisa e escrever ensaios, que sempre aliou ao apoiar os estudantes, pesquisadores e novos acadêmicos. Citou vários exemplos pessoais em que o mestre e mentor o ajudou pessoalmente.
Finalmente falou do homem generoso, cioso de suas ideias e valores, “mas que sabia ouvir os contrários, que quando divergia o fazia com elegância rara”. Para Aleilton Fonseca, a erudição, a memória, a generosidade e o bom gosto literário do professor Cláudio Veiga, estavam sempre junto ao seu riso claro (e comedido), bem como a dedicação absoluta à família exemplar que ele construiu, e a Academia, o que lhe permitiu “refundar a casa de Arlindo Fragoso”.
Os acadêmicos Myriam Fraga e Edivaldo Boaventura também se pronunciaram louvando suas múltiplas qualidades. Destacaram o apoio emprestado ao professor pelo saudoso acadêmico Jorge Calmon e pelo secretário da Academia, Carlos Cunha, falecidos, e à sua secretária, Carminha, que apesar de aposentada prestigiou a homenagem.
FAMÍLIA
Coube ao filho, Cláudio, num emocionado pronunciamento, agradecer a homenagem. Destacou o apreço que seu dedicava “ao bem praticado”, a sua honra, honestidade de caráter e a vida simples e humilde que ele viveu. Do pai, os filhos guardam, além do amor dedicado, o exemplo, mas Cláudio revelou um lado insuspeito do professor e acadêmico: O amor de torcedor fiel ao Esporte Clube Bahia e o fato dele ter jogado capoeira na juventude, aluno que foi do mestre Bimba. Ele encerrou falando dos 34 anos do pai na Academia, “de fato a sua segunda casa, o seu segundo lar”. O professor Cláudio Veiga ingressou na Academia de Letras com 51 anos de idade. Ele faleceu em 29 de março de 2011.
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