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Jéssica reconstituiu trajetória do avô

Publicado em: 11/11/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

O lançamento da obra "Walter Smetak ? Som e Espírito" contou com ampla cobertura da imprensa
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A jornalista e escritora Jéssica Smetak não chegou a conhecer o avô, que faleceu em 1984, fincando a pesquisa que embasou a publicação em entrevista com familiares e dezenas de músicos, compositores e admiradores. "Walter Smetak – Som e Espírito" tem projeto gráfico de Tamir Drummond, 267 páginas de texto e um caderno com 60 páginas em policromia com imagens (algumas inéditas) dos muitos instrumentos (há quem os considere também como escultura) que criou.
Ela optou por narrar a trajetória de Smetak em quatro capítulos distintos, desde a infância na Europa, onde ele vivenciou duas guerras mundiais, pois nasceu no ano que antecedeu ao primeiro conflito global, 1913, até a chegada ao Brasil; o trabalho na Escola de Música e a busca de um novo som, mental; a família; e finalmente o seu falecimento.
 

MISTICISMO

 
Informa o livro escrito por Jéssica Smetak que o músico chegou ao Brasil de navio, desembarcando em Porto Alegre. Depois de conhecer as metrópoles da época, São Paulo e Rio de Janeiro, se apaixonou pela Bahia. "Foi uma relação de descoberta de sons e recursos que ele muito usou, como as cabaças. Ele adorou o misticismo e os sons dos terreiros de candomblé. Ela abordou também a importância da eubiose em todos os aspectos da vida de Smetak. Ela conta que o primeiro contato do avô com a doutrina espiritual, fruto da teosofia, ocorreu em sua vivência na capital paulista e se desenvolveu tanto a ponto de erguer um templo em Salvador:
"As cores, as formas dos instrumentos, tudo tinha um cunho espiritual muito forte. A música dele não era tonal, era atonal, aquela que incomoda aos ouvidos porque não tem ritmo. Ele acreditava que, através da improvisação, o homem conseguiria alcançar essas esferas superiores de consciência. Tudo que Smetak construiu de plástica sonora tem relação com a eubiose", frisa.
Homem oriundo de família abastada, Walter Smetak era totalmente desapegado dos bens materiais. Importava-se com a sua música, com a moto, uma antiga (já na época) Harley Dadivson preta, e possuía apenas uma calça jeans, camisa de colarinho amarelo, uma sandália de couro e sempre andava com a mesma pasta a tiracolo: "Meu avô nunca buscou retorno financeiro. Queria fazer o bem e que as pessoas evoluíssem através da música dele. Pesquisando, aprendi muito sobre a simplicidade das coisas", concluiu.



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