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Comissão discute extermínio da juventude negra na Bahia

Publicado em: 12/11/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Audiência pública comandada pelo petista Bira Corôa durou mais de quatro horas
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Com o objetivo principal de encontrar soluções para combater, entre outros crimes, o extermínio da juventude negra na Bahia, a Comissão Especial da Promoção da Igualdade e Intolerância Religiosa da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT), promoveu ontem pela manhã, por mais de quatro horas, uma audiência pública com debates acalorados.
A audiência com o tema “Contra o extermínio da juventude negra, nem um passo atrás”, teve a parceria do Fórum Nacional da Juventude e do Programa Juventude Viva e apresentou números estarrecedores sobre a alta taxa de homicídios contra a juventude negra em Salvador, região metropolitana e demais municípios do Estado.
Observando o Mapa da Violência, entre 2002 e 2010, a partir dos registros do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde morreram assassinados no país 272.422 cidadãos negros, uma média de 30.269 assassinatos por ano. Só em 2010 foram 34.983 mortos.
Estudos com o mesmo objetivo, ao analisar o conjunto da população, constata que também entre 2002 e 2010 as taxas de homicídios da população branca caíram de 20,6 para 15,5 homicídios (queda de 24,8%), enquanto a de negros cresceu de 34,1 para 36, um aumento de 5,6%.
Assim, se em 2002 morriam assassinados, proporcionalmente, 65,4% mais negros do que brancos, no ano de 2010 este índice saltou para 132,3%. As taxas juvenis duplicaram, ou mais, às da população total: em 2010, enquanto as taxas de homicídio da população negra toral era de 36, a dos jovens negros foi de 72.
A Bahia repete o quadro nacional. O percentual de homicídios, somando-se pretos e pardos, cresceu 263,4% entre 2002 e 2010. As ocorrências de mortos afrodescendentes saltaram de 1.282 pra 4.659 assassinatos, conforme Mapa da Violência 2012. No mesmo período, as mortes de brancos subiram 145,9%, de 137 para 337 casos.
O Mapa da Violência 2012 ainda destaca que a Bahia é o Estado que lidera o ranking nacional de homicídios de jovens com idade entre 15 e 24 anos e o maior índice de crimes contra negros.
“O extermínio da juventude negra na Bahia e no Brasil tem sido pautas constantes nos debates da sociedade. Se os poderes constituídos não tiverem ações imediatas estaremos assim diante de um extermínio da juventude negra. A violência é acima de tudo a falta de estruturação nas ações do governo. Estamos aqui para chamar a atenção da sociedade, pois estamos à beira do extermínio, do genocídio contra a juventude negra”, afirmou o presidente do colegiado, Bira Corôa
O parlamentar petista ainda acrescentou o “crescimento estúpido dos crimes contra os jovens de 14 a 25 anos, jovens negros que são vítimas do contexto da sociedade em que estamos inseridos”. São vítimas também do Estado e de outras formas e até mesmo de organizações criminosas. Estamos aqui para debater e apontar alternativas para reduzir esses índices alarmantes. Segurança é questão de Estado, assim como a saúde, a educação e os objetivos sociais. O jovem negro não pode continuar marginalizado sem emprego”, concluiu Bira Corôa numa audiência que teve a participação de várias lideranças de movimentos negros, além dos parlamentares Yulo Oiticica (PT), João Carlos Bacelar (PTN)), Maria Luiza Laudano (PSD), Deraldo Damasceno (PSL) Carlos Geilson (PTN).




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