“Constitui um universo de beleza explorado pela raça negra”. Com este verso, entoado na tarde de ontem pela imponente voz da cantora Graça de Onasilê, seguindo os passos da exuberante dançarina que com vestes africanas retratava uma verdadeira Deusa do Ébano, todo o plenário da Assembleia Legislativa levantou, dançou e cantou para saudar “As Mulheres da República de Palmares”, na sessão especial proposta pela Comissão Especial de Promoção da Igualdade, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT). O evento marcou a comemoração ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.Segundo Bira, o objetivo neste ano foi dar visibilidade para as mulheres que tiveram papel de destaque em Palmares, heroínas como Dandara e Akotirene, bem como também mostrar a importância de tantas outras mulheres em todo o processo de luta do povo negro, desde os ancestrais até os dias de hoje. “Celebramos as mulheres que lutaram pela nossa dignidade. Sabemos da importância delas. O Movimento Negro, de maneira justa, há décadas, homenageia Zumbi. Mas também precisamos homenagear as mulheres de ontem e de hoje que fizeram e fazem a nossa história”, declarou o parlamentar.
Como parte das homenagens feitas às mulheres negras durante todo o mês de novembro, dezenas de famosas e anônimas tiveram seus nomes e sua trajetória de destaque em prol do movimento negro evidenciados na rede social Facebook, a fim de parabenizar e divulgar amplamente a sua importância para a sociedade. “Quando me avisaram, abri a tela do computador e fiquei 5 minutos olhando para aquilo e pensando o que significava. Chamei minha mãe, ela viu e chorou de emoção”, disse Letícia Silva, representante da Associação das Baianas de Acarajé, uma das homenageadas. Em seu discurso emocionado, completou: “Sabemos o quanto custou para a gente se impor. Sou uma mulher, negra, baiana de acarajé e vitoriosa”.
POLÍTICAS
Para a palestrante Lindinalva de Paula, coordenadora nacional de políticas de gêneros coletivos de entidades negras, este tem que ser um ponta pé inicial para que nos próximos novembros outras mulheres que fizeram história em Salvador e na Bahia sejam lembradas. Além da inserção feminina no merecido local de destaque, seja na história passada ou contemporânea, o secretário da Promoção da Igualdade Racial, Elias Sampaio, defendeu a mudança do discurso de reparação e inclusão para o da constituição de políticas hegemônicas para a maioria do povo brasileiro, que é negro. “Todas as áreas de governo têm que trazer as políticas afirmativas de promoção da igualdade racial como eixo estruturante”, afirmou. Elias Sampaio ainda salientou que gostaria de ter a honra de ver aprovado na Casa, ainda este ano, o Estatuto da Igualdade Racial da Bahia.
Também o deputado Álvaro Gomes (PC do B) defendeu a necessidade de seguir com os avanços para que mais conquistadas sejam alcançadas. O parlamentar aproveitou para destacar quatro projetos de lei existentes na Casa, que tratam de reserva de vagas em concurso público; delegacia itinerante antiracismo; e instituição do dia 20 de novembro como feriado estadual. “Precisamos acabar com o racismo, pois existe só uma raça: a humana. Todos devem ser tratados com dignidade”, frisou Álvaro. O vice-presidente da Assembleia, deputado Yulo Oiticica (PT), concordou com o posicionamento do colega, ressaltando a necessidade de respeito e tolerância religiosa, principalmente no país laico, como o Brasil. “Sou católico apostólico baiano. Portanto, é Oxóssi que abre os meus caminhos”, disse.
MESA
Também estiveram à Mesa de Honra: Reginaldo da Silva, chefe de gabinete da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, representando o secretário Almiro Sena; Patrícia Lima, presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB; Roberto Câmara, secretário da Promoção da Igualdade Racial do Município de Cruz das Almas; Ana Torquato, representante do deputado Marcelino Galo (PT); Mãe Lia de Oxum, de Camaçari; Mãe Raidalva, de Simões Filho; Sueli Santos, do Movimento Negro Unificado; Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias; e Creuza Maria Oliveira, presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad).
REDES SOCIAIS