A Assembleia Legislativa concedeu, ontem à tarde, o título de cidadã baiana a Luíza Bairros, ministra-chefe da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade, em sessão especial repleta de autoridades. A gaúcha Bairros vive em Salvador desde 1979 e sempre se destacou em ações de combate ao racismo, tendo sido figura importante na formação do Movimento Negro Unificado (MNU) e uma das fundadoras do Grupo de Mulheres do MNU.
O evento proposto pela deputada Fátima Nunes (PT) contou com a presença de três secretários estaduais – Elias Sampaio, da Sepromi, representando o governador Jaques Wagner; José Sérgio Gabrielli, do Planejamento; e Lúcia Barbosa, da Políticas para as Mulheres. O deputado Luiz Alberto (PT-BA) marcou presença na mesa dos trabalhos, assim como o vereador Waldir Pires, a presidente da Comissão das Mulheres, Neusa Cadore (PT), o presidente estadual do PT, Jonas Paulo; e o procurador Lidivaldo Britto. Os prefeitos de Maracás, Paulo dos Anjos; e de Araçás, Maria das Graças, além de muitos vereadores do interior, foram citados.
Recebida com aplausos, Luíza Bairros adentrou o plenário ladeada por uma comissão formada pelos deputados Rosemberg Pinto, Yulo Oiticica e Zé Neto, todos do PT. A sessão se iniciou com a execução do Hino Nacional, seguida por uma apresentação do repentista Bule-Bule, que apresentou a homenageada como uma "baúcha, mas a mais baiana da gente".
Fátima ocupou a tribuna para fazer o discurso de saudação e começou falando com alegria do aguaceiro que caía em Salvador. "A água é liberdade, é vida, é cidadania", disse a sertaneja, que conhece o valor de cada gota. Sobre Bairros, destacou a importância do trabalho desenvolvido pela ministra no sentido de transformar a realidade da Bahia e do Brasil que viveu por séculos a injustiça da desigualdade, da opressão, da escravidão.
O protocolo foi quebrado para permitir o pronunciamento de Zé Neto, líder da bancada da maioria. Considerando uma homenagem mais do que justa, ele considerou a condecoração até uma novidade, "por que mais baiana do que a ministra, se tiver empata. Ela é muito baiana".
O parlamentar destacou que o evento reunia naquele momento as três pessoas que ocuparam a chefia da Sepromi: Luís Alberto, o primeiro, seguido de Luíza Bairros e o atual, Elias. Para ele, é uma "grande proeza tratar de políticas públicas todas as questões que envolvem a Sepromi". No entanto, ele disse que "ainda vivemos muitas situações que precisam ser revistas".
Neto ressaltou o papel fundamental de Bairros nos debates que fizeram da Bahia o primeiro estado a instituir o sistema de cotas para universidade. Ao lembrar as conquistas econômicas do Brasil ao longo da administração petista, fez questão de ressaltar que "o país só tem conseguido essas grandes vitórias incluindo e fazendo com que pessoas como vossa excelência tenham o valor que merecem".
Fátima Nunes convidou o deputado Bira Corôa (PT) para fazer a entrega do título, juntamente com ela e Neusa Cadore. Bairros ocupou a tribuna para fazer um breve agradecimento, dada a evidente emoção que lhe tolhiam as palavras. "Eu estava ali pensando, já são 34 anos, muito tempo gente, e aqui tem pessoas que me acompanham desde o início", disse, lamentando não poder agradecer uma por uma.
"Não consegui preparar um discurso, porque não tem como você definir isto, de você ser considerada cidadã em uma terra que você escolheu, uma distinção neste sentido não acontece com todo mundo", disse emocionada, concluindo que "esse título só é possível porque cada um de vocês me acolheu em algum momento dentro de algum grupo, para que eu pudesse desenvolver algum tipo de contribuição". Para ela, "quando a Assembleia concorda em me dar este título, são todos os baianos e baianas que reconhecem que consegui aprender com vocês que existe no jeito de ser baiano uma outra forma de viver, de sentir, de pensar e fico feliz que vocês reconheçam em mim uma boa aprendiz". Ao final, Hamilton Lopes, que trabalha na AL, cantou duas músicas em homenagem a Luíza e foi executado o Hino ao Dois de Julho.
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