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Homenagem póstuma a Affonso Manta é marcada pela emoção

Publicado em: 02/12/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

O professor Délio Pinheiro representou o deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembleia
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Foi emocionante o lançamento, póstumo, da Antologia Poética de Affonso Manta, autor de poemas de valor universal de lirismo, delicadeza e reflexão notáveis, como frisou o organizador do volume, seu amigo, o laureado poeta e acadêmico Ruy Espinheira Filho. Apesar das fortes chuvas que caíram sobre Salvador e conturbaram o trânsito, cerca de 200 pessoas estiveram no ato de lançamento que contou com várias comitivas vindas de Poções, Jequié e Vitória da Conquista, além de acadêmicos, professores, jornalistas, amigos e admiradores do poeta.
A Antologia Poética de Affonso Manta é o quarto volume da coleção Mestres da Literatura Baiana, coeditada pela Assembleia Legislativa da Bahia e a Academia de Letras da Bahia, que resguarda do esquecimento clássicos das letras de nossa terra para o conhecimento das novas gerações. O presidente da academia, Aramis Ribeiro Costa, lembrou que a literatura brasileira surgiu em nosso estado, com Gregório de Mattos e seu grupo, prosseguindo depois com a poesia de Castro Alves e Junqueira Freire.

 BARREIRA INVISÍVEL

 
Persistiu no século XX com a alta qualidade dos trabalhos de Jorge Amado, Adonias Filho, Herberto Sales, João Ubaldo Ribeiro e Hélio Pólvora (entre outros), mas já aí poucos romperam uma barreira invisível que limita as nossas letras ao território baiano. Segundo ele, a coleção Mestres da Literatura Baiana preservará obras e escritores notáveis, como "Affonso Manta, que merecia ter desfrutado de destaque e notoriedade maior, dada a qualidade de sua obra, desconhecida até para os baianos".
O professor Délio Pinheiro representou no ato de lançamento o presidente Marcelo Nilo, que viajou para cumprir compromisso assumido no interior. O professor falou sobre o alcance do programa editorial do Legislativo – até o final do ano deverão ser lançados outros cinco livros, totalizando 115 volumes nos últimos sete anos – e confessou que só conheceu a poesia de Affonso Manta agora. Para ele, um "poeta denso, visionário, que viveu a vida como o poeta que era".
Délio Pinheiro entende a poesia como a "prima donna" da literatura, pela síntese e técnica e se declarou gratificado quando soube da decisão de Ruy Espinheira Filho, seu antigo colega na universidade, de organizar esse livro, pois "ele possui rigor intelectual e bom gosto". Leitor das obras de Ruy, revelou que durante anos a fio, através de um livreiro amigo, comprava os mesmos livros que o amigo – abrindo seus horizontes para autores (para ele) desconhecidos como o chileno Antonio Skármeta.
Ruy Espinheira Filho declamou dois poemas curtos de Affonso Manta, "Relâmpagos", um soneto, e "Quando Esta Noite Passar", publicados nas páginas 46 e 78 da Antologia. Falaram ainda sobre a vida boêmia, a generosidade pessoal e as dificuldades enfrentadas pelo poeta amigos como Altamirando Camacan e o livreiro Eduardo Sarno, que o conheceu ainda quando era conhecido como Affonso do doutor Ary, lembrando o hábito interiorano de qualificar os filhos através da lembrança dos seus pais. O doutor Ary era médico e dono da farmácia, ponto de encontros na Poções dos anos 50 e 60 do século passado.



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