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Mapeamento dos terreiros da RMS é debatido em colegiado

Publicado em: 16/12/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Os trabalhos foram comandados por Bira Corôa, presidente da Comissão da Promoção da Igualdade
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 O mapeamento dos terreiros da Região Metropolitana de Salvador foi discutido amplamente ontem, pela manhã, pela Comissão Especial da Promoção da Igualdade, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT), durante audiência pública.
A finalidade do encontro foi debater uma proposição de mapeamento que valorize as instituições: Federação Nacional do Culto Afro-brasileiro (Fenacab), a Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu) e a Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), tendo em vista suas experiências com terreiros, bem como valorizar os religiosos e seus seguidores.
A audiência pública que teve o tema "Diálogos do Mapeamento dos Terreiros da Região Metropolitana de Salvador" apresentou detalhes que comprovam que somente o município de Salvador possui mais de 1.200 terreiros, segundo dados do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) da Universidade Federal da Bahia. Já no município de Lauro Freitas, existem mais 300.

O primeiro terreiro de Candomblé a funcionar na Bahia foi o do bairro da Barroquinha, em Salvador. De origem Ketu Nagô, o terreiro foi fundado em 1830. Atualmente, o terreiro é conhecido como Candomblé do Engenho Velho ou Terreiro da Casa Branca.
A Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro foi fundada em Feira de Santana, em 1946. Já a Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu foi fundada em dezembro de 2000 com o objetivo de aglutinar pessoas e grupos, visando dar visibilidade à história da civilização negra brasileira.
O deputado Bira Corôa destacou: "Estamos preparando o projeto de identidade dos terreiros. É um projeto das religiões de matriz africana. A intenção é que os terreiros sejam tratados como patrimônio histórico, social e cultural. Os terreiros de Salvador estão migrando para a região metropolitana por causa da especulação imobiliária, das invasões desenfreadas e precisamos proteger os mesmos e, através de políticas adequadas, conseguir a legalização fundiária desses centros religiosos tão importantes também para a inclusão social".


IDENTIFICAÇÃO


O secretário de Promoção da Igualdade, Elias Sampaio, por sua vez, lembrou que, na verdade, esse mapeamento é o primeiro passo que se dá para que os terreiros possam passar por execução de políticas públicas. O mapeamento dos terreiros servirá para identificar quais são as casas e toda sua história no lugar que estão sediadas. A questão da regularização fundiária com mapeamento dessas casas e os lugares é necessário para que o poder público possa liberar recursos. Não se pode aceitar mais a ameaça das invasões nos terrenos dos terreiros e nem a pressão da especulação imobiliária", concluiu Elias Sampaio, da Sepromi.
A professora Ieda Passos de Castro, professora doutora em Línguas Africanas, também fez um pronunciamento importante, exigindo a edição de uma enciclopédia ilustrada, com organização de um dicionário, divulgando e explicando o sentido das palavras que ficam guardadas apenas nos terreiros.
Antes da audiência pública, o deputado Bira Corôa, presidente do colegiado, prestou uma homenagem póstuma ao líder Nelson Mandela, que dedicou toda sua vida, mesmo quando esteve preso por 27 anos, para a causa da militância contra o apartheid e "a escravidão imposta por grupos da sociedade capitalistas em todo continente africano".



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